08 de julho de 2026
Saúde

Cuidado com os ouvidos no Carnaval

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Quem curtiu a primeira noite oficial do Carnaval ontem e acordou hoje com um “barulho” no ouvido precisa tomar alguns cuidados para curtir o resto da festa sem colocar sua audição em risco. Animada por equipamentos de som superpotentes, a folia pode acabar se transformando numa ameaça se não forem respeitados alguns limites. Limites contados em decibéis.

O alerta é do médico Luiz Carlos Alves de Sousa, diretor da Sociedade Brasileira de Otologia e coordenador da Campanha Nacional de Audição, que vai trabalhar conscientização até o final deste ano.

Segundo ele, o ouvido humano suporta até 90 decibéis sem problemas. Acima disso, no entanto, o volume torna-se nocivo à audição. A freqüência sonora emitida pela aparelhagem usada nos bailes gira em torno de 120 decibéis. “O ouvido humano não suporta essa freqüência por mais que dez minutos”, afirma o médico.

A boa notícia é que essa freqüência só se mantém em níveis tão altos a poucos metros das caixas acústicas, dissipando-se no ambiente. Então, basta manter-se afastado a mais de quatro metros para reduzir o risco de uma lesão auditiva.

“Uma pessoa pode ficar até oito horas seguidas num ambiente com som de até 80 decibéis (uma rua de tráfego pesado, por exemplo). Cada cinco decibéis a mais derrubam pela metade o tempo em que se pode ficar exposto sem proteção auricular. Com 120 decibéis, dez minutos já são muito”, explica.

“Nosso objetivo não é tentar convencer as pessoas para que não brinquem o Carnaval, mas alertá-las para algumas coisas que podem parecer sem importância, como o volume do som, que podem acarretar conseqüências desastrosas para sua vida”, acrescenta.

A médica otorrinolaringologista Silvia Regina Megale confirma. “O som é produzido por um movimento do ar que promove o deslocamento da membrana do tímpano, dos ossinhos do ouvido e do líquido que há dentro da cóclea. O ruído muito alto é como um soco dentro do ouvido, ele lesiona, inflama as células”, descreve.

Segundo ela, uma pessoa com audição normal e saudável pode apresentar uma perda auditiva de até 40 decibéis depois de um baile ou show. “Na maioria das pessoas, o organismo recupera essa perda sozinho. Mas algumas vão precisar de tratamento, de remédios. E pode acontecer da lesão ser irreversível”, adverte.

Segundo os especialistas, o sinal de alerta é o tempo. Ao sair de um salão onde o volume era elevado, a imensa maioria dos foliões terá a sensação de estar com o ouvido tapado, com uma pressão desconfortável ou mesmo um zumbido. Algumas pessoas vão acordar com essa sensação no dia seguinte, mas o organismo se recupera e a audição vai voltando ao normal aos poucos.

“Mas se essa sensação não desaparecer em no máximo dois dias, é porque o organismo não está se recuperando.

Procure um médico o mais rápido possível. Quanto maior o tempo da lesão, menores as chances de recuperação. Com dez dias, essa chance cai 50%”, destaca Megale.

A voz também merece cuidado nessa época. Cantar, gritar ou falar muito alto para competir com o som do ambiente pode causar rouquidão no fim do baile. “Nesse caso, a gente recomenda uns dois ou três dias de repouso vocal (evitar falar) e é raro haver uma complicação maior”, explica.

Para minimizar ambos os problemas, a fonoaudióloga Kátya Freire informa, por meio de assessoria de imprensa, que existem no mercado protetores auditivos com filtros que deixam passar os sons limpos, como a fala. Eles protegem os ouvidos ao mesmo tempo em que permitem a comunicação saudável em ambientes muito ruidosos.

Para quem pretende curtir mais três dias de Carnaval, a dica é moderação. Aproveitar a folia sim, mas no meio do salão, longe das caixas de som.