Assusta-me esta coisa eufórica de dizer que o Brasil está fadado a ser uma potência. Isso me cheira mais aparência e menos mudanças - isso me soa como mais dinheiro para poucos e ao mesmo tempo mais deveres e miséria para muitos. Não quero e nem sonho com um país de vitrine - muito antes disso - quero um país de verdade. Espero um dia acordar e ver alguém entre nossos políticos não querendo nos fazer crer que um país é apenas uma economia. Quero crer que qualquer hora destas vamos parar de discutir a cotação da moeda estrangeira e começar finalmente fazer de fato alguma coisa para acabara com a fome. Quero pensar que ainda vai dar tempo de ver a Constituição sendo citada, lembrada e cumprida não apenas para defender apenas o interesse de uns poucos - mas para servir como base para um Brasil de verdade - distante da grande sensação causada por horas e horas de propaganda. Quero sim que um dia destes a grande propaganda seja poder andar nas ruas e não ver mais a miséria em cada e qualquer esquina.
Mas até lá viveremos da febre das boas palavras - sobrevivermos da lenda de que alguma coisa mudou. Seguiremos achando que há qualquer tipo de coerência. Até que alguém pense no Brasil para brasileiros seguiremos com ares de primeiro mundo vivendo no terceiro e enquanto nossa gente sofre nossos representantes vivem por aí mostrando áreas de preocupação com a miséria de outras partes - como se já não tivéssemos por aqui miséria o bastante para nos preocuparmos.
A cada dia que passa eu penso que o Brasil precisa de menos síndicos e de mais zeladores - traduzindo menos gente para pensar e mais gente para trabalhar. Precisamos de menos palpiteiros e de mais gente para colocar em prática tudo que pagamos ao longo de todos os anos para que pensassem. Precisamos de gente que de fato entenda que o povo não agüenta mais esperar.
A cada tempo surge em mim a esperança - velha, mas nem tanto como as promessas que todos conhecemos de que um dia a mudança doa atores também seja a mudança da antiga peça em cartaz. E o Brasil novo nunca vem - apenas debates e mais debates - pagos a preço de ouro. Um dia a esperança vira revolta - e a isso dão nomes muito feios - mas nada tão feio como a mesmice do descaso de alguns. Tomara que não tenhamos que chegar até lá.
O autor, Cosmo Palasio de Moraes Jr., é articulista