Novidades nordestinas: os prefeitos das capitais nordestinas são jovens e não pertencem às siglas partidárias das elites tradicionais albergadas no PMDB e no PFL. Já não se pode dizer a mesma coisa do Interior. Os oligarcas ainda controlam o voto por aquelas bandas. Um bafejo de renovação política sopra nas praias nordestinas. Equilíbrio entre as novas forças de renovação e as forças conservadoras tradicionais. Dos nove prefeitos eleitos, sete têm menos de 50 anos de idade. Três são petistas, três filiados ao PDT, dois do PSB e um tucano. Os resultados eleitorais das capitais deixaramm claro que a polarização da eleição entre PT e PSDB do Sul Maravilha não arribou às praias nordestinas. São resultados importantes por suas conseqüências. Campeiam por lá muitos votos. O Nordeste tem peso na sucessão. Nem PT nem PSDB provocaram grandes entusiasmos por aquelas plagas. Lideranças tradicionais do PFL, do PMDB e do PSDB enfrentaram boas refregas e levaram, por todo canto, pelotaços nas asas.
Ninguém ficou muito preocupado. O Nordeste, dizem os pragmáticos, acompanhará o Sul Maravilha. São Paulo anuncia os rumos da política nacional. Reflexão repetida com ênfase em Brasília. Mas os cenários estão mudando. Em política, tudo tem seu peso. Que pensam estes jovens oposicionistas do futuro de suas administrações? A ótica dos novos prefeitos tanto do PT quanto dos partidos nanicos gera um quadro divergente do governo Lula e da oposição comandada pelo PSDB. A polêmica de 2005 será a polarização do embate político entre PSDB e PT. Apostas são feitas na irreversibilidade da tensão entre os dois grupamentos políticos. Outros analistas mais argutos insistem no tema da oposição de semelhantes erodidos pela passagem do tempo. O futuro dirá quem tem razão. O futuro terá que ser construído com empenho por situação e oposição.
O PT tenta ampliar e consolidar alianças no Congresso. A prometida e sempre adiada reforma ministerial do governo Lula indica o grau de dificuldade que vai enfrentar e que tende a se agravar com correr dos dias para a recomposição da base no Congresso. O tema das reformas desgastou-se e desgastou o governo Lula. Não existe mais a alternativa de propor reformas. Nem pensar em completar a reforma da Previdência. Nem imaginar propor a necessária reforma das relações de trabalho. A reforma política está arquivada. Até mesmo a reforma sindical corre sério risco de naufragar no Congresso. A estrada fica estreita e o tempo fica curto para o governo Lula. Pior que tudo. O PT vai enfrentar este ano a renovação das suas direções partidárias. A esquerda petista se articulou e se fortaleceu no Fórum Social Mundial.
O PSDB procura voltar a comandar tradicionais bases de apoio dispersas nos dois últimos anos. Fernando Henrique quer assumir o comando da oposição, exortando os pares para a atuação oposicionista rigorosa. Mais do que um discurso oposicionista agressivo, falta para a oposição propostas alternativas de renovação da vida política, social e econômica.
O agrupamento dos partidos nanicos no Congresso, por enquanto ainda rola como tentativa de sobrevivência. Vão acabar no processo eleitoral da sucessão por se alinhar à situação ou à oposição. São trunfos que podem fazer a balança da sucessão pender para qualquer lado. Mais importante no cenário político de 2005 está sendo o fortalecimento do PMDB. Fortalece-ser a ala oposicionista que quer sair de sob as asas do governo. Falam em independência e de candidatura alternativa. Retórica que não convence. O ilhamento dos grupamentos políticos regionais, a falta de lideranças nacional e absoluta ausência de propostas alternativas de governo, são estacas cravadas no coração do velho e moribundo PMDB. O PFL continua a fazer o jogo do difícil. Inventaram até o canário do reino à procura de renovação e recuperação. Sem grandes risadas vai continuar minguando de eleição para eleição. Que novidades surgirão em 2005? (O autor, Ulysses Guariba, é professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP)