09 de julho de 2026
Regional

Polícia investiga morte em Piratininga

Da Redação
| Tempo de leitura: 4 min

Piratininga - A morte de Fábio Rodrigues Neri, 24 anos, levantou suspeitas de um espancamento na madrugada de domingo, na praça da Igreja Matriz, uma hora depois do término do primeiro dia de Carnaval de rua em Piratininga (13 quilômetros a noroeste de Bauru). O boato que corre na cidade contesta a morte de Neri por asfixia causada pelo próprio vômito (segundo laudo provisório do Instituto Médico Legal) e sustenta a versão de que ele teria sido espancado e morreu já na praça.

Essa versão é sustentada pelos familiares que estavam revoltados anteontem, durante o enterro de Neri, às 16h, no cemitério da avenida da Saudade.

O delegado titular de Piratininga, Paulo Calil, instaurou inquérito, já ouviu alguns depoimentos e espera o laudo definitivo do Instituto Médico Legal (IML), que provavelmente será finalizado nesta sexta-feira.

Ele explica que deve ouvir mais depoimentos hoje que podem fazer avançar as investigações. Entre as testemunhas, a mãe de um menor que diz ter visto a agressão. Amanhã, será ouvido pelo delegado um morador da Sapolândia (bairro de Piratininga), indicado pelos familiares de Neri e que garante ter testemunhado a agressão.

O delegado salienta que está cauteloso com as proporções que o caso tomou, com várias versões e acusações de pessoas interessadas no caso.

Calil disse ontem que Neri apresentava apenas um hematoma superficial na testa. “Alguma coisinha que ele tem no corpo é machucado de uma surra antiga que ele tinha levado”, ressalta.

O delegado salienta que um dos suspeitos de ter cometido a suposta agressão contra Neri estava na praça quando chegaram os policiais militares e civis, o que lhe causou estranheza, já que, se houvesse praticado um homicídio, não ficaria na cena do crime. “Ele estava lá bêbado”, detalha.

Paulo Calil explica que um morador da região da praça da matriz fez uma ligação anônima para a Polícia Militar (PM) informando que tinha uma pessoa que teria caído do banco do jardim e estaria passando mal. Na seqüência, a PM recebeu um outro telefonema, dessa vez, de uma pessoa que se identificou, relatando a mesma história. Calil disse que esta segunda pessoa será ouvida no inquérito.

O delegado conta que, quando os PMs chegaram ao local, Neri já estava morrendo. Foi socorrido, mas chegou ao hospital sem vida. Até ontem, o delegado disse não descartar as hipóteses já levantadas, porém está baseando sua investigação em um laudo provisório expedido pelo IML no domingo. Ele garante que Neri estava alcoolizado e teria vomitado bastante.

Calil acrescenta que busca apurar se Neri teria caído ou sido empurrado ou mesmo agredido.

“Temos que ter cautela. Havia muita polícia no local”, ressalta.

Rixa com Zanza

A versão sustentada por familiares de Neri se baseia, principalmente, em uma rixa recente que ele criou, junto com um menor, contra João Ricardo, 41 anos, conhecido como Zanza, acusado que estaria na praça quando a polícia atendeu o caso.

O delegado titular de Piratininga, Paulo Calil, relata que, há um ano, Neri teria agredido um familiar de Zanza. O delegado de polícia acrescenta que, em represália a esta agressão, no dia 2 de janeiro último, Zanza, acompanhado de seu irmão Marquinhos “Jabá”, junto com mais quatro homens, teriam batido em Neri em sua residência.

No mesmo dia, foram até a casa do menor, entretanto não o teriam encontrado. Mas teriam deixado o aviso de que ele estava “marcado”.

Na semana seguinte, conforme Calil, o irmão de Zanza teria proibido as irmãs de Neri de testemunharem no caso de agressão sofrida pelo irmão. Por este motivo, o delegado instaurou um inquérito por coação de testemunha contra um dos irmãos de Zanza.

Paulo Calil revela que Neri tinha passagem pela polícia por furto e que o irmão de Zanza, Marquinhos, cumpre pena no Instituto Penal Agrícola de Bauru (IPA). No começo do ano, Marquinhos se beneficiou do indulto de Natal e teria participado da agressão a Neri.

Família contesta asfixia

Uma pessoa da família de Fábio Rodrigues Neri afirma que a turma do Zanza foi responsável pela morte do rapaz. Temendo represálias, a pessoa não quis ser identificada. Mas garantiu que testemunhas, que se dirigiam ao banheiro público localizado na praça, teriam visto homens agredindo Neri.

“Pegaram no pescoço dele e, parece que a língua dobrou. E depois chutaram a cabeça dele”, relatou.

Esta pessoa diz que a turma do Zanza estaria fazendo ameaças. Os familiares de um menor que teria participado da agressão contra João Ricardo, apelidado de Zanza, também estariam sendo ameaçados.