08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Umbandista, sim!


| Tempo de leitura: 2 min

Parabéns. É somente o que tenho a dizer sobre a matéria de domingo no caderno Bairros sobre os terreiros de umbanda e candomblé existentes na cidade. A matéria tratou de maneira séria, esclarecedora e sem preconceitos sobre essas duas religiões. Sim, religiões, diferente da palavra “seita” usada por uma das pessoas questionadas na rua pela reportagem. A umbanda e o candomblé são religiões e negar-lhes essa classificação é ir contra a carta magna brasileira e uma forma de preconceito.

Preconceito aliás que surge entre os próprios seguidores. Quantas e quantas pessoas freqüentam os terreiros em busca de auxílio e amparo espiritual são atendidos, recebem graças e têm vergonha de assumir por pura ignorância e medo. Medo de serem estigmatizadas como “macumbeiras”. O medo gera intolerância. E só há medo onde não há conhecimento. Será que eles sabem que “macumba” nada mais é do que uma árvore sob a qual os negros, ainda na África, depositavam suas oferendas aos orixás?

Só fiquei triste com um detalhe na matéria: as únicas fotos onde apresentam seguidores, estes pareciam querer ocultar os rostos ou estavam de costas. Não havia um único seguidor que quisesse aparecer de frente? Por que, pergunto eu?

Enquanto os umbandistas e candomblecistas se esconderem por medo, o preconceito só tende a aumentar. Não há vergonha em seguir uma religião que prega respeito e amor ao próximo, que pratica o bem sem olhar a quem, mesmo que o beneficiado negue-lhe o valor e quando questionado sobre qual religião segue, responda: “católico” ou “espírita”.

Maus seguidores, que deturpam a verdadeira religião isto há, claro, com certeza. Assim como há padres acusados de pedofilia e pastores que usurpam o dinheiro dos fiéis. Isto não faz católicos e evangélicos terem vergonha de os serem.

Sobre quem acha que a umbanda e o candomblé não praticam o bem, gostaria que se informassem mais a respeito do “Projeto Macumba”, um projeto desenvolvido por umbandistas e que arrecada mantimentos, agasalhos e presta auxílio a comunidades carentes.

Sobre quem critica, aconselho a informar-se melhor antes de mais nada. Todos têm o direito de não gostar, mas usar expressões como, “não tem nada que preste”, “atraso de vida”, “não têm crença, não acreditam em Deus” é puro preconceito, sim. Não adianta disfarçar. preconceito. Essa palavra fere os ouvidos e os olhos, não é? Pois essas declarações não exprimem simples diferença de crença e sim puro preconceito. Umbandistas e candomblecistas: apareçam! Mostrem-se! Não tenham vergonha! Nossa religião é linda! Obrigada. (Susan R. Lopes - umbandista - freqüentadora da Tenda de Umbanda Caboclo do Sol e da Lua - RG 30.954.412-9)