08 de julho de 2026
Geral

Quarta de Cinzas é dia de reflexão

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Depois da festa, dos bailes e desfiles de Carnaval, a Quarta-feira de Cinzas se estabelece como um dia para reflexões, recolhimento e reconhecimento dos pecados. É o que explica o coordenador diocesano da Campanha da Fraternidade em Bauru, Francisco Ferreira Nunes. A campanha, que neste ano é ecumênica, tem início hoje e carrega o tema “Solidariedade e Paz”.

De acordo com Nunes, a Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma, período de reflexão e penitência para os cristãos. “Na antigüidade, o povo judeu já fazia certas penitências como jogar cinzas na cabeça e nas vestes, como um sinal de arrependimento dos males que praticou e dos pecados que cometeu. Era uma espécie de punição com esse ritual, e a tradição do dia veio daí”, explica.

Atualmente, para a Igreja Católica, a data não é mais marcada pela proibição da ingestão de carne – que chegou a ser proibida por toda a Quaresma. O hábito continua como uma indicação aos fiéis, justamente por conta da desigualdade social e da fome. “A Quarta-feira de Cinzas marca o início de um período de mais recolhimento e reflexão, em que as pessoas devem procurar fazer uma revisão de sua vida, ver onde estão errando e procurar melhorar”, comenta Nunes.

Ele esclarece que os sacrifícios da Quaresma, muitas vezes confundidos com penitências de promessas, devem simbolizar uma renúncia voluntária. “A proposta não é de ficar sem comer ou comer de menos, por exemplo, e sim de fazer um pequeno sacrifício em benefício dos que nada têm ou têm pouco. É uma espécie de reflexão, para partilhar com as pessoas necessitadas o que eu posso. Se eu me privo de um alimento, eu dou o alimento para eles”, destaca.

Hoje, a Quarta-feira de Cinzas será lembrada com celebrações na Catedral do Espírito Santo, às 7h30 e 20h.

Mais uma vez, paz

Assim como em anos anteriores, o início da Quaresma marca também o lançamento da Campanha da Fraternidade, que tem como tema “Solidariedade e Paz”. “A Quaresma e a campanha se iniciam na quarta-feira para corroborar com o trabalho de estudo e reflexão desse período”, diz Nunes.

Pela segunda vez em seus 41 anos, a campanha deste ano será ecumênica, incluindo as religiões do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conip): Igreja Católica Apostólica Romana, Igreja Católica Ortodoxa Siriana do Brasil, Igreja Cristã Reformada, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Metodista e Igreja Presbiteriana Unida. O tema também é retomado do mote de 2000, primeiro ano em que a campanha se estendeu para outras religiões. “Foi uma experiência válida e decidiu-se que ela seria repetida de cinco em cinco anos”, destaca.

Nunes, coordenador diocesano da campanha, relembra que a iniciativa é brasileira, surgida em 1964, e que recebeu a aprovação do papa João Paulo II. “Exatamente numa demonstração de aprovação, ele vem fazendo a abertura diretamente de Roma todos os anos. Nesse ano, não sabemos se ele vai se pronunciar”, lamenta.

Os materiais, manuais, livros e panfletos da Campanha da Fraternidade 2005 já estão disponíveis nas livrarias católicas e em algumas paróquias de Bauru. A programação das atividades relacionadas à campanha será divulgada por cada paróquia. “Somos em 40 paróquias, de Bauru e mais 12 cidades. Cada uma tem uma realidade, então cada um define sua programação de acordo com o que acha mais apropriado”, enfatiza Nunes.

No dia 18 de fevereiro às 20h, como parte das atividades ecumênicas da Diocese de Bauru, o pastor luterano Milton Schwantes, doutor em teologia e professor da Universidade Metodista, ministrará uma palestra no Teatro Municipal sobre o tema. Ele foi o principal elaborador do texto-base da campanha deste ano.

Serviço

Informações sobre a Campanha da Fraternidade na Diocese de Bauru, pelo telefone (14) 3227-7100 ou no site www.bispadobauru.com.br