Quantos aspirem descobrir, honestamente, razões suficientes para o ininterrupto surto de inflação, que domina a economia nacional, não precisam ir muito longe para achá-las. Só precisará dar uma rápida olhada nos avanços dos preços e logo constatarão que os abusos procedem dos terrenos oficiais, ocupados pelos economistas da cúpula. Quer-se dizer claramente: é o próprio governo, propenso a dar liberdade ao fenômeno, quem as abre livremente, arrastado a isso:- no ano passado os preços administrados pelos poderes e pelas tarifas públicas subiram 10,20% contra uma média de 6,5% dos chamados preços livres, estipulados e controlados pela economia popular. Mas, não somente os observadores o constatam, pois, também, dados colhidos e analisados pelo Grupo de Conjuntura da Universidade Federal do Rio de Janeiro patenteiam que historicamente as cotações monitoradas pelo governo sobem sempre numa proporção maior do que os livres, conforme a imprensa divulgou esta semana. Tem-se aí, então, algo que não se justifica, nem pode justificar-se, mas destaca os fatos que empurram a vida econômica da nação para desníveis que o povo, eterno consumidor, condena bravamente por martirizar suas finanças e, logicamente, colocar embaraços em sua vida, abrindo-lhe uma pobreza que já atinge todas as camadas, as quais, no curto período de 1995 a 2004, tiveram de sofrer o castigo de pagar 309,8% pelas tarifas e preços administrados (combustíveis, energia elétrica, telefone, alimentos etc.) acima da variação dos livres, que ficaram em cerca de 105%. Há economistas assegurando que os custos comandados pelo poder público só não se elevaram mais porque “os ônibus urbanos tiveram reajustes menores que nos exercícios anteriores”. Mas há aqueles que admitem poucas pressões neste 2005, considerando que as previsões de reajuste dos combustíveis são menores em função da recente estabilização do preço do petróleo, estimulador da inflação tendo em vista o fogo que lança contra tudo. É a nossa opinião.
O autor, Nadyr Serra, jornalista responsável do JC, é delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.
“Que ninguém perca o seu forte abraço, mesmo sabendo que um dia seus braços estarão fracos. Que não perca o equilíbrio mesmo sabendo que inúmeras forças querem que ele caia”.