Se não conseguir aumentar o volume de dinheiro destinado para recape e asfalto, Bauru, que já leva a pecha de “cidade dos buracos”, vai conviver com crateras nas ruas pavimentadas e de terra por mais 32 anos. Entre recuperação e asfalto novo, a estimativa da Secretaria Municipal de Obras é que são necessários cerca de R$ 130 milhões para deixar todas as vias da cidade em ordem.
Como o orçamento da pasta para este ano é de R$ 10,9 milhões, mas somente R$ 4 milhões são para investir em asfalto - R$ 6,9 milhões estão reservados para a folha de pagamento -, seria preciso pelo menos três décadas para juntar toda a quantia. Ou empregar 85% do orçamento da prefeitura deste ano, que é de R$ 160 milhões.
Mas o secretário de Obras, Fernando Jorge Salomão, está confiante que conseguirá verba extra para fazer asfalto novo e recuperar o que está estragado. “O prefeito (Tuga Angerami-PDT) quer vender terrenos para criar um fundo para fazer asfalto e estamos buscando verba estadual e vamos atrás de verba federal. Além disso, tenho certeza que a receita vai aumentar com a cobrança de impostos atrasados. Espero que em 2006 o orçamento da Secretaria de Obras seja pelo menos 80% maior que deste ano”, diz.
Pelos cálculos de Salomão, cerca de 7 milhões de metros quadrados dos 8,6 milhões de metros quadrados de asfalto de Bauru estão deteriorados. Ao preço de R$ 15,00 o metro quadrado, são necessários R$ 100 milhões para recuperar as ruas já pavimentadas. A cidade tem 1,6 milhão de metros quadrados de ruas de terra que são trajetos de ônibus. Para pavimentá-las, são necessários outros R$ 30 milhões.
Enquanto a administração municipal tenta obter mais recursos para asfalto, à população resta desviar dos buracos. O frentista Edson Santos da Silva até plantou uma muda de bananeira dentro de um buraco na quadra 1 da rua José Bombini, na Vila São Paulo, na tentativa de chamar atenção para o problema. “Vamos ver se o buraco será tapado antes da bananeira dar cacho”, brinca.
Com um trecho pavimentado e outro de terra, a rua Jorge Pimentel, na Vila Engler, precisa de asfalto novo em toda sua extensão. “Aqui na quadra 7, tem que escolher lugar para passar, mesmo assim é difícil não cair em nenhum buraco. O jeito é escolher o lugar com buracos menores e passar”, diz o eletricista José Osvaldo Ferreira. Morando há 17 anos na via, ele conta que a situação da via já esteve pior.
No trecho de terra da rua, Edson Luiz Gonçalves, gerente de uma oficina, relata que já teve prejuízo por causa dos buracos. “Um ônibus tentou entrar aqui e o pára-choques caiu. Tivemos que pagar. Já chegamos a reunir as oficinas e contratamos uma empresa para fazer a terraplanagem da rua”, frisa.
Do outro lado da cidade, no Parque Santa Edwirges, Maria Eugênia Brás reclama da situação da alameda Netuno. “A quadra 3, que é de terra, está tão esburacada que há um mês não temos como tirar os carros das garagem”, aponta.
Além do asfalto, outra obra que a administração municipal precisa fazer com urgência é a barragem de contenção de água nas margens do córrego Água do Sobrado, que está estimada em mais de R$ 3 milhões.
A obra é uma da lista do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado pela administração Nilson Costa perante ao Ministério Público e cujo prazo para realização já venceu. Salomão entregou ao governador Geraldo Alckmin (PSDB), durante visita a Bauru na semana passada, projeto de solicitação de verba para obra, assim como pediu dinheiro para refazer o asfalto da avenida Rodrigues Alves e da alameda Octávio Pinheiro Brizolla.