Se por um lado devemos ressaltar e elogiar o significativo trabalho de difusão por este conceituado noticiário de assuntos que interessam à população, o mesmo não se pode dizer da atuação do poder público em questões relativas à saúde humana. Forçoso reconhecer que a tônica é caracterizada pela inércia e descaso com que se cuida dos problemas que se afiguram capazes de gerarem desiquilíbrio patológico populacional.
Segundo pesquisa, tem-se no ano de 1988 a inserção dos caramujos no Brasil, atingindo, atualmente, números assustadores dessa espécime que, indubitavelmente, nos leva a concluir que o país está “empesteado” por esses estrangeiros indesejáveis.
Daí cabe uma indagação: por que não houve a atenção e cuidados pelos órgãos públicos pertinentes quando do início, uma vez que seria mais fácil o combate e a erradicação? No entanto, como a regra é a ineficiência dos órgãos públicos que tinham o poder-dever de atentar para essa anormalidade, hoje a situação chega a ser alarmante, s.m.j., tende a se agravar ainda mais. Há mais de três anos, em matéria veiculada pelo Fantástico, os biólogos já alertavam para o perigo iminente de infectação que os caramujos poderiam provocar.
Em reportagem feita pelo JC, um "expert” de Bauru, há dois anos, após consignar o poder de multiplicidade dos moluscos, orientava a população para ficar atenta ao caso de ploriferação. Ora, se não existe predador e naquela oportunidade não se tinham informações de como dizimá-los, é sintomático chegar-se à conclusão que a ploriferação aconteceria, mercê a capacidade reprodutiva dos moluscos.
Ainda agora, os tecnocratas, em suas conjeturas fantasiosas, esclarecem que a situação não se constitui caso de saúde pública e infelizmente só darão a importância que a realidade exige quando houver a ocorrência de óbitos, como no caso da Leishmaniose, ou quando as doenças ocasionadas pelos caramujos tornarem-se uma pandemia. Deve-se também, no combate aos moluscos, observar que embora Bauru tenha recursos técnicos, existem cidades pequenas que não tenham condições de aplicação da mesma metodologia.
Daí utilizar-se de sal ou de cal sobre os caramujos e depois colocar as conchas, já destituídas dos moluscos, na coleta de lixo natural, método este desaconselhado pelo titular da SEMA de Bauru. Mas não se deve esquecer que dos males é o menor e que realmente vai funcionar nas pequenas cidades. Em Pirajuí, o serviço de vigilância sanitária resolveu agir e está desenvolvendo fiscalização nos terrenos sujos ou abandonados e orientando a população quanto ao extermínio dos caramujos.
A bem da verdade, acho que os munícipes irresponsáveis e desleixados não deveriam fazer parte de uma comunidade civilizada posto que até os seus quintais, repletos de mato, tornam-se habitat de animais peçonhentos e de outras espécies, como os moluscos. Há mais de anos que desenvolvo verdadeira guerra contra os caramujos, mas é revoltante olhar nos quintais circunvizinhos e perceber sujeira e a horda crescente destes moluscos, o que significa dizer que é um trabalho quase inútil, uma vez que os mesmos não ficam circunscritos aos terrnos sujos, ao contrário, sobem em muro, árvores e não conhecem fronteiras para a sua caminhada.
Não se pode esperar mais. Urge a deflagração de verdadeira cruzada contra estes invasores, a nível de todo território nacional, onde torna-se imprescindível a participação não só do poder público, mas da mídia, em todos os aspectos, e de toda população, senão, em um futuro não muito distante, perderemos espaço e talvez até a vida por causa desses moluscos repugnantes.
Antonino Saes - R.G. n.º 7.604.267 - Pirajuí/SP