08 de julho de 2026
Bairros

Ramais deixam a desejar

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

“Rato” de biblioteca, o morador do Santa Luzia Marcos Paulo Frabetti Bernarde conquistou repertório suficiente para auxiliar estudantes em dificuldade na escola. No entanto, quando solicitado para se enfronhar nos livros, não titubeia: parte para a biblioteca Central. “O acervo nas ramais é muito restrito, principalmente para os alunos do ensino médio”, diz.

A escassez de títulos está longe de ser o único problema. A biblioteca ramal do Jardim Redentor, por exemplo, está desativada há mais de um ano. Sob risco do teto desabar, a mobília foi remanejada entre as outras ramais e seus títulos, transferidos para a de Tibiriçá. “É lamentável. O entorno dela é muito bonito. Existe interesse de um órgão em recuperá-la. As negociações estão em andamento”, explica Elizete Maria Barro.

Diretora da Divisão de Bibliotecas da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), ela admite outros problemas nas ramais. Por exemplo, parte dos livros da biblioteca de Tibirçá foi incinerada por causa de uma infestação de cupins. “Já a do Jardim Progresso enfrenta sérios problemas depois dessas chuvas. Teve infiltração de água, mas o local é bom e bem localizado. Não tem mais freqüentadores por falta de divulgação”, explica.

Também dispõe de localização privilegiada a biblioteca ramal do Geisel, cuja estrutura do prédio facilita as depredações. “Precisamos de grade na janela, já foi solicitada. O problema da Falcão é outro. Ela fica escondida dentro da Regional. Existe um projeto para transferi-la para frente. Em todas elas, faz-se necessário um estudo de programação visual”, completa.

A mais favorecida neste sentido é a ramal da Vila Tecnológica, atualmente subutilizada. Ela dispõe de auditório, sala de artes, de esportes, área verde, espaço para jogos e brincadeiras. Porém, poucas atividades são programadas para o local. Em contrapartida, a do Mary Dota, em funcionamento numa casa adaptada da Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab), oferece atividades complementares.

Uma sala foi reservada para ensaios de um grupo de break e para aulas de judô, ministrada pelo campeão mundial Artemio Caetano Filho. Por intermédio de uma parceria com a loteadora Urbalest, ele reformou o local para atender cerca de 100 interessados. “Não tenho dúvida de que as aulas podem levar ao interesse pela literatura. Incentiva. Até porque o judô tem uma filosofia envolvida. A educação e formação dos alunos nos preocupa”, diz.

Artemio, que também foi campeão pan-americano e seis vezes campeão brasileiro, acompanha o desempenho escolar dos inscritos em suas aulas.