08 de julho de 2026
Bairros

Bibliotecas são acervos de problemas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

2005 é o ano ibero-americano da leitura. Neste período, campanhas na mídia serão lançadas em 20 países, inclusive no Brasil, para disseminar entre a população o hábito de ler. Em Bauru, o acesso ao livro não depende apenas de peças publicitárias, mas principalmente da revitalização das bibliotecas. Há anos desprovidas de manutenção básica, elas se transformaram num “acervo” de problemas.

Driblando a precariedade dos prédios, a escassez de espaço, funcionários, de títulos, além da infestação de cupins, alguns usuários continuam assíduos. No entanto, a presença constante nem sempre é motivada pela literatura.

Pelo menos duas vezes por semana, o estudante Luiz Augusto Ferreira Soares freqüenta a biblioteca ramal do Mary Dota para treinar “manobras” exibidas durante as apresentações de break. “Só leio quando necessário, para fazer trabalho escolar”, explica. Numa dessas situações “inevitáveis”, ele descobriu o espaço onde atualmente o grupo “Style Black Crazy” ensaia a dança.

Mas não foi o gênero musical que levou o corretor de imóveis Samuel Valverde à biblioteca. Nem tão pouco os livros. Quase diariamente ele vai até a Central ler jornal e revistas. A rotina de pelo menos um ano ainda não motivou Valverde a se aventurar pelo conteúdo dos livros, muito menos pela gibiteca instalada no mesmo prédio.

Samuel Barbosa de Souza também é presença constante, porém, deliberadamente, gosta de literatura. “Meu hobby é ler. Quando quero relaxar vou à gibiteca. Gosto de observar a prosa dos quadrinhos. Leio muito filosofia”, diz. Suas preferências não coincidem com os títulos e autores mais concorridos no sistema municipal de bibliotecas.

No topo da lista estão os títulos exigidos pelas escolas e escritores como Paulo Coelho e J.K. Rowling. A predileção foi constatada até no bibliônibus que, quando em funcionamento, roda 18 bairros. Parado desde dezembro do ano passado, ele deve voltar à ativa a partir do próximo mês.

Ainda em março, a SMC deve encaminhar ao Ministério da Cultura um projeto de recuperação das bibliotecas. Se aprovado, recursos federais poderão confirmá-las como pontos de referência nos bairros. Independentemente do auxílio da União, a manutenção dos prédios onde funcionam as bibliotecas ramais (seis em atividade e uma fechada) será iniciada, anuncia o secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre.