08 de julho de 2026
Regional

Sensibilidade é arma das mulheres que comandam presídios

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Ao longo das últimas décadas, as mulheres vêm modificando sua participação na sociedade brasileira. Dois aspectos atestam esta mudança: o número crescente de mulheres chefes de família e sua participação consistente no mercado de trabalho.

Uma pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) entre 1994 e 1998 mostrou que o mercado de trabalho no Estado de São Paulo passou por transformações expressivas. A participação feminina cresceu de 47,3% para 50,9%.

Os números da pesquisa mostram que, nesse período, mesmo com grandes taxas de desemprego, o número de mulheres que ingressou no mercado de trabalho foi cerca de meio milhão a mais que o de homens.

Dados oficiais à parte, a verdade é que a participação feminina cresceu em áreas que só o ‘sexo forte’ dominava. Setores em que os homens eram tidos como os mais eficientes por representarem a força foram substituídos pela delicadeza e sensibilidade das mulheres.

Na região de Bauru, cinco ‘presídios’ estão sendo dirigidos pelo sexo tido como frágil. Psicólogas e assistentes sociais assumiram o papel de diretoras de penitenciárias e Centros de Ressocialização.

O trabalho ainda não tem muitos frutos maduros, mas pode vir a ser, no futuro, a saída para os problemas dos presídios. Com a sensibilidade aguçada, elas conseguem administrar a unidade e ‘dominar’ os impulsos violentos dos presos com muita dedicação e tratamento humanizado, sem deixar a rigidez de lado.

Em Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru), o Centro de Ressocialização (CR) está sendo dirigido pela psicóloga Maria de Lourdes Kerche do Amaral. O CR de Marília (100 quilômetros a oeste de Bauru) tem a assistente social Alzira Iaticola Bueno como diretora. Já no CR de Lins (102 quilômetros a noroeste de Bauru), a psicóloga Zoê Jardim Aoki é quem dirige os mais de 200 sentenciados.

A penitenciária de Reginópolis (70 quilômetros ao norte de Bauru) com mais de 800 detentos também tem no comando uma mulher, a assistente social, Edenir Isabel Nogueira.

Em todas, os detentos dizem aprovar o trabalho realizado. Eles citam a sensibilidade feminina como fator preponderante na hora de discutir os problemas.