08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

O "Ernesto Monte" não é mais aquele?


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Nos anos 50 do século passado, Bauru foi abalada com vultosa transação imobiliária envolvendo o prédio do lendário 1º Grupo Escolar (Rodrigues de Abreu), entre o Estado e a congregação do Sagrado Coração de Jesus, em cujo local hoje funciona o Colégio São José, na avenida Rodrigues Alves. Na oportunidade, de nada valeram os protestos da nossa gente, com várias viagens de representantes de diferentes segmentos da sociedade a São Paulo, para inúteis contatos com o então governador Lucas Nogueira Garcez.

A venda foi posteriormente confirmada e edificado o prédio atual, na rua Virgilio Malta, confluência com a Duque de Caxias. Passados alguns anos, houve uma tentativa para a construção, no terreno daquela escola, de um edifício que iria abrigar as dependências da Secretaria Estadual da Fazenda. Desta feita, as negociações foram descobertas bem antes e o ato não foi consumado.

Jânio Quadros, quando governador do Estado, ao “presentear” Bauru com o Instituto Penal Agrícola, fechava a Escola Prática de Agricultura “Gustavo Capanema”, de nível secundário, que vinha funcionando, acreditamos, a contento. Assim, Bauru começava a ganhar uma série de “grandes conquistas nesse campo de trabalho”, com o surgimento aqui de um complexo penitenciário. Recentemente, a nossa cidade ganhou outro “brinde”, ou seja, uma unidade da Febem, que desde a sua inauguração já enfrentou diversos problemas quanto as rebeliões dos meninos lá internados.

Há tempos foi desativada a Escola Estadual “Lourenço Filho”, que funcionava na rua 1º de Agosto, esquina com a Azarias Leite. Na ocasião, nossas autoridades teriam salientado que a freqüência era diminuta, razão pela qual o Estado lá instalou algumas dependências ligadas ao ensino. Aqui não entramos no mérito da questão e não sabemos se essa decisão veio colaborar no aprimoramento do ensino na Sem Limites.

Bauru, então, recebe a brilhante idéia para que seja desativado o nosso primeiro Ginásio do Estado, depois Instituto, com a conseqüente distribuição de seus alunos por escolas que atendem naquela região da Sem Limites. Mas como ninguém teve essa idéia antes? Que imaginação fértil dessa gente em descobrir que o “Ernesto Monte” não é mais aquele? Um grupo de bauruenses, reconhecendo o “brilhantismo” da sugestão, acha que a mesma deve ficar para todo o sempre registrado nos anais de Bauru. Pesquisando sobre a história da vida educacional de Bauru, principalmente a respeito do “Ernesto Monte”, inaugurado em 1939, que inicialmente funcionou em um prédio localizado na Praça D. Pedro II (ainda existente), esquina com a Bandeirantes e Gerson França, vimos como foi difícil a luta para a conquista daquele benefício.

Na época, apenas o Guedes de Azevedo, o São José e o Liceu Noroeste é que desenvolviam suas atividades quanto ao antigo curso ginasial. Desavenças aconteceram entre os políticos que lutavam em torno da paternidade da conquista, cuja concretização aconteceu com a doação do terreno por parte das famílias Régis e Paulo Vale. Finalmente, há 66 anos o então governador Adhemar Pereira de Barros, (na época interventor federal nomeado por Getúlio Vargas), veio a Bauru para inaugurar a novel escola que teve como o seu primeiro diretor Antônio Cristino Cabral.

Hoje, nas conversas nas esquinas e por meio das cartas publicadas na secção A Tribuna do Leitor do Jornal da Cidade, notamos que a repulsa é geral. Não acreditamos, porém, que o fato já estaria consumado.

Se hoje nós escrevemos sobre o passado de Bauru, os historiadores do futuro um dia estarão divulgando que no ano de 2005, brilhantes mentalidades fecharam uma escola para atender às necessidades da Prefeitura Municipal, quando poderiam, por exemplo, ter lutado para assumir o edifício-sede da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, na Praça Machado de Mello e lá instalar todos os espaços que o Executivo necessita para o melhor desenvolvimento de seus trabalhos.

Devemos salientar que a nossa vida escolar (ginásio, perito contador e normal) foi toda ela desfrutada, com muito orgulho, no Guedes de Azevedo. No “Ernesto Monte”, apenas prestamos exames no antigo preparatório ginasial e depois, em 1946, alguns meses no colegial. Lembramos que divulgar e respeitar a trajetória daqueles que participaram e fizeram a história de Bauru, além de ser gratificante é uma verdadeira graça divina. (Luciano Dias Pires)