11 de julho de 2026
Política

Secretária vai à Câmara mas não aceita favorecimento na educação

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

A secretária Municipal de Educação, Ana Maria Lombardi Daibem, adiantou ontem que vai comparecer ao Legislativo para discutir as medidas adotadas visando regularizar a falta de professores na rede local. Contudo, ela não aceita que a solução para os remanejamentos saia de critérios particulares, com privilégios.

A posição da titular da pasta veio depois que um grupo de profissionais da área compareceu à sessão da Câmara Municipal de ontem para reclamar dos mecanismos de escolha de escolas. Representantes de entidades sociais também solicitaram que a forma de subvenção para professores seja rediscutida.

Os protestos atingem um grupo de professores. A reação ocorreu depois que 52 membros da rede municipal que lecionavam em creches conveniadas com a prefeitura tiveram que retornar para as escolas infantil e fundamental.

Esta foi uma das medidas adotadas para eliminar a defasagem de 141 profissionais. A administração também está rediscutindo os convênios com terceiros e a cessão de professores para entidades sociais. O curioso é que as ações foram apresentadas aos presidentes de entidades sociais e diretores de escolas. “Estamos discutindo cada medida desde o dia 1 de fevereiro e já fizemos várias reuniões e vamos continuar debatendo. O que não se aceita é que a solução seja particular. O critério é coletivo e sem nenhum privilégio”, afirma Ana Daibem.

Sobre o fim das dobras de turnos nas escolas municipais, a secretária reforça que os profissionais sempre souberam que o ganho extra não poderia ser incorporado ao salário. “Mesmo que as dobras não gerassem um centavo a mais de custo para a Educação, elas seriam eliminadas porque causam prejuízos enormes do ponto de vista pedagógico. É uma distorção que está sendo corrigida e foi criada no passado”, aponta.

Daibem lembra que no dia 31 de janeiro foi feita uma reunião com presidentes de creches para apresentação da proposta de mudança nos convênios. Os professores municipais voltam para as escolas e a prefeitura propôs financiar as contratações pelas próprias entidades através de um novo termo. “A aprovação foi quase unânime e a Secretaria de Finanças apresentou os cálculos preliminares de quanto teremos que repassar a mais”, comenta.

Sobre a reclamação surgida ontem em cima dos valores por contratação, o secretário de Finanças, Edmundo Albuquerque, afirmou que foi apresentado uma planilha às entidades. “Fizemos cálculos com todos os encargos e estamos aguardando a posição das entidades. Não há valor definido e sim uma proposta. Estamos aguardando essa posição”, cita.

A secretária de Educação acrescenta que a escolha das escolas para o retorno à rede própria também foi aberta para discussão. “Nos reunimos de novo no início de fevereiro, recebemos um grupo de professoras com dúvidas, explicamos, discutimos de novo e pedimos que elas nos formalizassem uma proposta conjunta. Mas é coletiva, não é individual”, reforça.

O assunto também foi discutido durante encontro com toda a rede no Teatro Municipal. “O próprio prefeito Tuga Angerami voltou a explicar as mudanças e nós levamos uma proposta das professoras ao Jurídico. O processo está em andamento. Acho excelente a Câmara convocar para audiência porque é uma oportunidade de explicar algumas reclamações que não procedem”, conclui.