08 de julho de 2026
Bairros

Extermínio indiscriminado de caramujos é prejudicial

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Desde março do ano passado, os caramujos africanos tornaram-se motivo de preocupação à saúde pública e alvo de combates pela população. Agora, porém, os caramujos viraram as vítimas da história. O medo da proliferação de doenças está fazendo com que muitas pessoas exterminem espécies de caramujo que não representam riscos à saúde humana. Ação que, a longo prazo, pode causar desquilíbrios ambientais.

“Caramujos de cores mais claras e aqueles bem pequenos, comuns em jardins, não precisam ser exterminados. Eles não causam danos, têm seus predadores naturais (como pequenas aves e insetos) e estão em quantidade natural na cidade”, explica o coordenador do controle de vetores do Centro de Controle de Zoonoses (CZZ), Flávio Tadeu Salvador.

Salvador lembra que a espécie de caramujo a ser combatida é o africano, carcterizado pela concha de cor escura e pela mucosa (substância liberada) preta. Outra diferença é a existência de uma borda serrilhada e irregular ao redor da abertura da concha; somente o africano possui esse detalhe. Animais que não têm essas características devem ser preservados para evitar problemas futuros, como prejuízos à cadeia alimentar dos predadores destes moluscos.

“Quando um animal é colocado ou tirado de forma abrupta do seu meio, pode haver desequilíbrio ambiental”, alerta Salvador.

A eliminação em massa do caramujo africano, que está sendo feita através de mutirão, justifica-se pela superpopulação do animal e por ser hospedeiro de vermes causadores de doença. A população deve recolher o molusco com o uso de luvas ou sacos plásticos e depositá-los nos postos de coleta. Levantamento, publicado pelo JC, em 30 de janeiro passado, é que existem cerca de 15 milhões deste tipo de animal em Bauru.

“A intenção com essas campanhas não é de eliminar os caramujos, mas de controlar a população excessiva. Tem que haver uma rotina na coleta, para chegarmos ao controle da situação”, afirma Salvador

Segundo ele, as outras espécies não vivem em áreas urbanas - apenas o africano é mais resistente. “O habitat dele também não era urbano, mas o homem interfiriu e ele se adaptou bem ao novo espaço. O mesmo ocorreu com o Aedes aegypti e com o mosquito palha”, considera.

O CCZ orienta a população a não pegar os caramujos sem o uso de luvas, mesmo se não for africano. Em caso de dúvidas quanto à espécie, deve-se entrar em contato com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente ou com o CCZ.

Serviço

O mutirão será realizado hoje, amanhã e sexta-feira, das 7h30 às 14h. Mais informações pelos telefones (14) 3235-11105 e (14) 3281-2646.