09 de julho de 2026
Polícia

Doméstica confessa assassinato do tio

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 3 min

A doméstica desempregada Vanessa Fernanda Siqueira da Silva, 25 anos, confessou ontem na Delegacia de Investigações Gerais (DIG) ter sido ela quem realmente desferiu a facada no peito de seu próprio tio, o servente Marcelo Pedroso dos Santos, 27 anos, na madrugada do último domingo. O crime aconteceu em uma casa no Jardim Vânia Maria e o servente já chegou morto ao Pronto-Socorro Central.

No momento do crime, ocorrido no final de um encontro festivo para um chá de bebê, apenas a doméstica, o servente e uma criança de 12 anos - sobrinha de Vanessa - estavam na casa. A criança seria a única pessoa a ter presenciado o momento em que a doméstica teria desferido o golpe contra Santos.

O delegado de plantão no domingo, Fábio Mariotto, requisitou à Justiça a prisão temporária de Vanessa por cinco dias, para garantir o andamento das investigações.

Só ontem, porém, após passar dois dias na Cadeia Pública Feminina de Cabrália Paulista, Vanessa da Silva confessou o crime. Ao delegado titular da DIG, J.J. Cardia, a doméstica contou que cometeu o crime apenas para se defender de uma suposta agressão que estaria sofrendo por parte do seu tio.

Ela relatou que, já no final da festa, pediu ao servente que deixasse sua residência porque precisava viajar para visitar o marido em um presídio da região. Ainda segundo ela, o tio estaria bêbado e teria se recusado a deixar a casa.

Com a insistência dela, ele teria passado a agredi-la. Acuada, teria pedido a um de seus cinco filhos para que pegasse uma faca para se defender. “Era apenas para assustá-lo. Se eu quisesse matá-lo, não teria pego uma faquinha de serra”, diz a doméstica.

Ela contou ainda que apenas não assumiu a autoria do homicídio no dia crime por medo de represálias da família do servente, com a qual garante que mantinha, até então, um ótimo relacionamento.

“Eles (família do servente) me ajudaram muito e a casa onde eu morava com meus filhos era cedida pela mãe do Marcelo. Agora, não tenho nada para falar para ela porque não há nada que vá confortar uma mãe que perde um filho”, disse.

A doméstica contou, porém, que a relação com o tio era tensa e marcada por desentendimentos anteriores. “Quando ele (Marcelo) brigava com minha tia, eu acabava entrando na discussão para defender ela”, conta Silva.

Ela garantiu, porém, estar arrependida. “Vou cumprir minha pena, mas sei que nunca mais terei a ‘cara limpa’. Sempre vou ser apontada como uma marginal qualquer”, diz, resignada, sem saber informar quem ficará responsável por seus cinco filhos.

Caso encerrado

O delegado J.J. Cardia, titular da DIG, explica que, com a confissão espontânea, o caso é considerado encerrado. “Já ouvimos várias testemunhas e vamos continuar investigando para averiguar se a versão da Vanessa é verdadeira”, diz o delegado.

Segundo ele, o delegado titular do 1.º Distrito Policial, por onde corre o inquérito, deverá pedir sua prisão preventiva, encaminhando a doméstica de volta à cadeia de Cabrália Paulista. Ela deve ser indiciada pelo artigo 121 (homicídio) do Código Penal, com pena que pode chegar até a 20 anos de detenção.

O crime contra Marcelo dos Santos foi o oitavo registro de morte violenta deste ano em Bauru e o terceiro acontecido na madrugada do último domingo.

Horas antes, Claudinei Rogério Leite, 38 anos, e seu filho Peterson Rogério dos Santos Leite, 15 anos, foram assassinados com vários tiros no Jardim Eldorado 2, na região Noroeste da cidade.

Cardia informou que as investigações deste duplo homicídio estão bastante adiantadas, mostrou confiança na sua resolução, mas disse que não poderia adiantar detalhes do caso, para não atrapalhar o trabalho da polícia.

Ele voltou a insistir para que a população colabore com as investigações ligando para o disque-denúncia da Polícia Civil, através do telefone 197. O anonimato do denunciante é absoluto, garante o delegado.