O anúncio da redução de 7% para 0% no Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) da farinha de trigo e do pão francês feito pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), na última sexta-feira, não garante diminuição no valor do pãozinho. Ele custa em média R$ 0,20.
A avaliação é de Evaristo Gonzalez, presidente do Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Bauru e Região, que reúne cerca de 1.800 panificadores associados.
“Tudo depende da cadeia produtiva. O preço do pão tem outros componentes, que não é só o imposto. Existe a matéria-prima, que é o trigo, a mão-de-obra, o fermento, entre outros ingredientes. Somando-se tudo isso chegamos ao preço final”, diz Gonzalez.
A redução do ICMS da farinha de trigo e do pão é uma reivindicação antiga do setor de panificação. Para Gonzalez, a medida demonstra que o governo estadual têm sido sensível na redução da carga tributária das empresas. Porém, teme que a isenção do imposto não cause impacto no valor final do produto.
“O sindicato sempre alegou que o pão é um item de consumo popular e não teria que pagar imposto. Mas é um conjunto de fatores que faz o preço. Por exemplo, a farinha pode chegar mais barata ao moinho, mas ele pode alegar que teve aumento de energia e transporte e subir o preço do trigo”, diz.
A reportagem do JC consultou dez padarias da cidade e constatou que a medida anunciada por Alckmin ainda não influenciou o preço do pão francês. Como o assunto foi comunicado oficialmente semana passada, a maioria dos proprietários e funcionários se sente perdida e não sabe informar como ficará o preço do pãozinho. Em alguns estabelecimentos, o valor médio de cada unidade, R$ 0,20, não sofre alterações há cerca de um ano.
“Estamos sabendo que o imposto caiu, mas precisamos esperar para saber o que acontecerá. Não sabemos o que essa redução representa diante do trigo. O preço pode até abaixar, mas não posso garantir nada”, diz Wanderlei Módolo, um dos proprietários de uma padaria localizada no Altos da Cidade.
Paulo Hermes Pereira, dono de uma panificadora da Vila Cardia, tem a mesma opinião de Módolo. “Ainda não conversamos com nenhum moinho para saber se haverá mudanças. Mas acreditamos que, se houver redução do ICMS, a tendência é abaixar os preços”, opina.
O pão francês é um dos protagonistas da mesa da decoradora Tatiana Ortiz Cardia. Na fila de uma padaria localizada no Centro da cidade, ela diz estar torcendo para que o produto sofra redução de preço. “O pão está caro. Isso acaba atrapalhando porque deixamos de comprar outros itens de consumo”, diz.