09 de julho de 2026
Geral

Novo aeroporto cria sonho de emprego

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 5 min

O aeroporto que está sendo construído em Bauru só deve ficar pronto no segundo semestre de 2006, segundo a previsão oficial, mas muitos bauruenses já começam a se preparar visando sair na frente para ocupar um promissor mercado de trabalho que certamente será criado.

Cursos técnicos ligados os setor aeroviário que sequer chegaram a ser realizados em anos anteriores, por falta de alunos interessados, registram agora classes lotadas.

O mesmo acontece com o único curso superior da área na cidade que, contrariando a tendência nas instituições privadas, de classes incompletas, também é sucesso de ocupação em seu segundo ano de existência.

Um exemplo de curso técnico que apresenta grande procura neste ano é o de formação de mecânicos de aeronaves ministrado pelo Aeroclube de Bauru, centro que oferece ainda cursos para piloto (privado, comercial e de planadores) e comissário de bordo, todos também com boa procura.

A controladora técnica de manutenção do Aeroclube Anessa Campos Saes admite que boa parte deste interesse excepcional pelo curso de mecânico de aeronaves, com duração de um ano e custo de pouco mais de R$ 3 mil (R$ 250,00 por mês, além da matrícula), foi motivado pelo fato de que a turma deste ano provavelmente será a última a ser formada na cidade.

Saes explica que, a partir do próximo o ano, o Departamento de Aviação Civil (DAC) - órgão federal que homologa os cursos, certifica os profissionais da área, além de regulamentar e fiscalizar todo o setor aéreo do País - passará a exigir um processo de formação baseado em cursos técnicos com duração de três anos. “Por isso, o curso deste ano é uma oportunidade ímpar para quem quer conquistar a ‘carteirinha’ do DAC num curso autorizado de apenas um ano de duração”, diz.

Mas além deste fato, Saes ressalta que faltam” profissionais neste mercado de trabalho. Ela lembra que qualquer procedimento técnico realizado em aeronaves precisa ser feito por profissionais qualificados e credenciados pelo DAC.

O mecânico de aviões Daniel de Lima, 22 anos, e professor do curso no Aeroclube, concorda com Saes, lembrando que em dezembro passado apenas a empresa TAM requisitou 60 mecânicos de avião para sua unidade de Jundiaí. “E acredito que nem todas as vagas foram preenchidas”, diz.

Lima destaca, por outro lado, que o advento do novo aeroporto é realmente um dos maiores motivos para a grande procura pela qualificação profissional. “Isso (novo aeroporto) requer uma grande estrutura e os mecânicos formados aqui podem trabalhar em diversas áreas, como montagem, inspeção, manutenção, entre outras”, justifica.

Emprego garantido

Os auxiliares de mecânico José Ricardo Duarte, 28 anos, e Leandro César Fernandes, 29 anos, já trabalham no Aeroclube e se inscreveram no curso com a esperança de ascensão profissional. Conhecedores do mercado, eles garantem que, com a qualificação oficial, não faltarão oportunidades de trabalho para os mecânicos de avião. “Quem tem a ‘carteirinha’, já está trabalhando e haverá espaço para todos”, diz Duarte.

Fernandes acrescenta que a instalação do novo aeroporto vai reforçar esta tendência. “O aeroporto envolve muita gente e com certeza novas vagas serão abertas”, ressaltando que muitos “colegas” formados em Bauru já estão colocados na Embraer (São José dos Campos e Gavião Peixoto), em Cumbica (aeroporto internacional de Guarulhos) e Botucatu (Neiva). “A profissão (de mecânico de avião) será valorizada”, completa.

Já os primos Geraldo José de Lima Júnior e Leonardo Ernesto dos Santos, ambos com 18 anos e desempregados, ainda não conhecem a fundo o mercado de trabalho, mas ingressaram no curso cheios de esperança de uma vaga garantida.

“Já estou de olho no novo aeroporto”, diz Lima Júnior. “Espero que, com o surgimento de mais vagas perto de casa, eu não precise sair de Bauru para trabalhar”, diz Santos, que se confessa um “apaixonado” pela aviação.

Fase final

Previsto para ser entregue no segundo semestre de 2006, as obras do novo aeroporto de Bauru estão na fase final. Estão prontas a pista principal de pouso e decolagem, a pista auxiliar que servirá para o deslocamento das aeronaves que acessarão o terminal de embarque e desembarque de passageiros e a área verde do local.

A pista auxiliar tem o mesmo comprimento da principal, ou seja, 2,1 mil metros. A largura é menor: 15 metros. A principal tem 45 metros de largura. O contrato de licitação assinado no final do ano passado para a fase final das obras é de R$ 19 milhões, sendo que 60% deste valor serão de responsabilidade do governo federal.

Para a etapa final estão previstas a construção dos pátios dos hangares, o prédio do Corpo de Bombeiros, implantação dos alambrados, sinalização luminosa da pista, iluminação de pátios e acessos, instalação de farol rotativo e o acesso ao estacionamento de veículos.

Pilotos buscam qualificação superior

O curso superior de ciências aeronáuticas, oferecido pela Instituição Toledo de Ensino (ITE), está apenas em seu segundo ano de existência, mas já se destaca entre os vários - alguns tradicionais - oferecidos pela faculdade. Segundo a assessoria de imprensa da ITE, o curso foi um dos poucos totalmente preenchidos já no processo seletivo e que não apresentou vagas remanescentes.

Uma peculiaridade do curso de ciências aeronáuticas é que cerca de 50% dos alunos são pilotos de avião já inseridos no mercado, mas que resolveram garantir uma qualificação de nível superior para melhorar suas condições de disputa por empregos melhor remunerados.

O curso tem duração de três anos e forma bacharéis em gestão de empresa aérea. O diploma, porém, só é liberado para os que já são pilotos de avião. Quem ainda não possui esta condição, precisa cumprir um curso prático de um ano, em instituição credenciada pelo Departamento de Aviação Civil (DAC), que pode ser freqüentado paralelamente ao bacharelado.

O piloto comercial Edson Mitsuya, coordenador do curso, lembra que muitos alunos já enxergam no novo aeroporto um campo de trabalho promissor, com a vantagem de estar próximo de Bauru. “Estamos preparando mão-de-obra especializada justamente para ocupar este espaço”, diz Mitsuya.

O coordenador acredita que os profissionais formados neste curso terão melhores condições de disputar o mercado de trabalho. “Mais que pilotos, nossos alunos serão pilotos-gestores, com capacidade para ‘gerenciar’ uma aeronave, preocupados com consumo de freios e combustível, relação com passageiros e noções de marketing. E tudo isso representa redução de custos para as empresas”, explica Mitsuya.