09 de julho de 2026
Articulistas

Um antigo e triste descaso


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O Brasil sempre buscou (embora de maneira frágil) o desenvolvimento do turismo em nível nacional, principalmente nas áreas obviamente mais abrangentes, como as praias brasileiras, distribuídas ao longo dos cerca de 8.500 quilômetros de extensão da costa marítima, produto que a divina natureza nos legou graciosamente. Ainda em janeiro de 1999, participava de uma viagem na companhia de parentes e outros turistas na linda Capital do Ceará, Fortaleza. Era o ponto de partida da viagem, pois aguardávamos a saída do navio em busca dos penhascos negros de Fernando de Noronha.

A alegria dos já embarcados, bem como a dos que estavam embarcando em Fortaleza, já antecipava as belíssimas paisagens que teríamos pela frente, no primeiro “tour” a bordo do cruzeiro marítimo, o “Premier Cruises”. Toda essa festa nas águas brasileiras ocorreu a bordo do navio “S.S. Rembrandt”, entre os dias 8 e 18 de dezembro de 1997. Um suntuoso barco com 228 metros de casco, de origem holandesa, dotado de luxo com 1.400 hóspedes, além de 600 tripulantes e serviço de médico a bordo dia e noite, nos 12 andares. A partida foi à noite, muito agradável e festejada no aguardo da chegada em Fernando de Noronha.

Logo pela manhã, abri a escotilha limpa e avistei os penhascos negros e a linda esquerda do barco estacionado para recepção e fiscalização, o que resultou em certa demora. Dadas às dificuldades surgidas quanto ao problema de altura do barco, os passageiros dispostos ao passeio, apoiados em uma grande escada, eram transportados do barco profissional, com muito cuidado, para pequenas fragatas ao custo de dólares.

Ao aportar, os turistas não foram recebidos por ninguém. Na praça, viam-se apenas algumas lojinhas do tipo de mascate e um péssimo escritório que não informou nada, com a presença apenas de uma senhora ali nascida, sem nenhum elemento importante a contar e um antigo e fechado prédio da administração do local.

Ali, havia uma pequena Igreja (antiguíssima, porém fechada). Por causa do péssimo transporte e da má recepção na hora do almoço (já tarde e com pouca comida para muitas pessoas), alguns passageiros nem buscaram a refeição e retornaram ao barco antes das 17h, horário máximo para o retorno de todos. A segunda noite foi mais festiva e aproveitável. Conhecemos o comércio do interior do navio e os profissionais da embarcação, enquanto navegávamos pela costa brasileira rumo ao Sudeste, aportando no Rio de Janeiro. A revista Veja publicou, em 2002, a reportagem “Ambiente lindo, caro e sujo” e concluiu: “Obras malsucedidas e descaso ambiental pioram a estada de quem visita Fernando Noronha”. Fico por aqui. (O autor, José Almodova, foi professor universitário da ITE e da Unesp Bauru. É jornalista e colaborador do JC)