09 de julho de 2026
Bairros

Jaraguá tenta barrar projeto de moradia popular

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

Um grupo de moradores do Parque Jaraguá procurou o Jornal da Cidade para demonstrar sua insatisfação com o projeto de desfavelamento elaborado pela Federação das Associações Comunitárias do Estado de São Paulo (Facesp) em parceria com a prefeitura, que ainda nem saiu do papel. O projeto prevê a construção, no Jaraguá, de 42 casas destinadas a famílias de baixa renda que vivem em áreas de risco no Jardim Andorfato.

A principal crítica dos moradores ao projeto é a de que o Jaraguá não teria infra-estrutura suficiente para atender a demanda de mais 42 famílias morando no bairro. Para dar força ao movimento de protesto, a associação de moradores do bairro elaborou um abaixo-assinado com cerca de 800 assinaturas. O documento foi enviado aos vereadores Futaro Sato (PDT) e Marcelo Borges (PSDB), que foram os mais votados no bairro na última eleição.

De acordo com o presidente da associação, Luís Carlos Guerra, os moradores que estão protestando pedem que o terreno seja utilizado para a implantação de um equipamento público, como creche, escola, núcleo de saúde, posto policial ou área de lazer.

“O bairro é muito carente de equipamentos públicos. Nem praça nós temos aqui. As creches e escolas estão todas lotadas, não tem mais vaga nem para quem já mora aqui. Já imaginou quando essas 42 famílias vierem para cá? O que vão fazer com seus filhos?”, questiona Antônio Raymundo Pereira Filho.

Sandra Maria da Cruz aponta que os moradores também se sentem “passados para trás” pelo fato de não terem sido consultados sobre a construção das casas no bairro.

“Ninguém foi ouvido e nunca demos nossa opinião sobre o projeto. Acho que temos esse direito pelo fato de morar aqui no bairro e pagar os impostos. Não é preconceito, nós apenas achamos que esse não é o local apropriado para o projeto.”

A moradora Silvana Beloni Gonçalves emenda apontando a questão da água. “Provavelmente, eles (as 42 famílias) vão ter tarifa social de água, enquanto nós pagamos por isso e sempre falta água aqui no bairro”, aponta.

O vereador Futaro Sato diz que já informou o prefeito Tuga Angerami (PDT) sobre a reivindicação dos moradores. “Já conversei com o prefeito e mostrei o abaixo-assinado, mas a decisão sobre o assunto é dele e não há como eu saber o que ele pretende. Eu acho que o erro neste caso está na escolha da área para abrigar o projeto, definida na gestão municipal passada”, observa o vereador.

A integrante da comissão estadual de moradia da Facesp, Sueli Belório, diz que os moradores do Jaraguá sempre souberam do projeto e que o problema da falta de equipamentos sociais no bairro não compete à Facesp.

“As famílias que serão deslocadas para lá moram apenas do outro lado do rio, no Jardim Andorfato. Elas não estão numa região distante da cidade e, inclusive, fazem compras no comércio do Parque Jaraguá e já têm filhos em creches ou escolas do bairro. O fato é que elas estão vivendo em área de risco e precisam sair de lá.”

No último dia 11, foi assinado o convênio para a construção das 42 casas, que terão 47 metros quadrados. A verba para o programa, de R$ 420 mil, já está disponível. O preço por unidade é de R$ 10 mil.