Despercebidos por quem passa rapidamente, estabelecimentos minúsculos no Centro de Bauru chamam a atenção por abrigar grandes comércios e oferecer bons serviços à população. Há quatro anos, o amolador Adão Benedito de Oliveira conserta máquinas e afia ferramentas em um corredor de 80 centímetros de largura por oito metros na avenida Rodrigues Alves.
Ele trabalha por encomenda e atende os clientes em um pequeno balcão que ocupa quase todo o espaço da loja. Atrás do móvel, trabalha em pé, ao lado de uma máquina de amolar. O tamanho do estabelecimento, no entanto, é inversamente proporcional ao seu grande movimento. Adão revela que já chegou a perder a conta de quantas pessoas atende por dia.
“Tenho bons clientes, de Bauru e região. Acho que consigo agradar”, conta ele, modesto. Devido ao espaço reduzido, o proprietário é também o único funcionário da loja. “Não posso espirrar porque bato a cabeça, e se engordar, não caibo”, brinca.
O tamanho da loja trouxe benefícios a Adão. Como não conseguia dividir o mesmo espaço físico com o pai, há um ano seu filho Anderson Benedito de Oliveira abriu outra unidade a poucas quadras do local, na rua Rio Branco. Trabalha sozinho em um corredor de um metro e meio por cinco metros.
Além de amolar alicates de unha e outros objetos, o estabelecimento faz cópias de chaves. Como nesses serviços a mão-de-obra é item predominante, apenas duas máquinas e um balcão foram instalados no local. “Uma loja pequena condiciona bem o tipo de trabalho que realizo”, diz Anderson. Incentivado pela propaganda “boca-a-boca”, o movimento é constante, revela ele.
A redução do espaço físico, porém, não se aplica ao aluguel desses imóveis, uma das poucas desvantagens apontadas pelos proprietários. “O ponto é bom e o preço é muito caro”, aponta Anderson. O valor do aluguel também é considerado alto por João Boiça Roz, proprietário de uma relojoaria localizada na rua Antônio Alves, próximo à Praça Rui Barbosa.
Com dez metros quadrados, o estabelecimento chega a atender 100 pessoas por dia. “Não posso ter um espaço maior, mas o conserto não exige grandes espaços”, conta Roz, que há quatro anos comanda a loja sozinho.
b>Sorvete expresso
Em uma sorveteria no Calçadão da Batista, as duas máquinas que preparam o produto ficam logo na entrada do minúsculo corredor. O local comporta duas funcionárias. O público é atendido em menos de três minutos.
O casal Juliana Georges Trad e Said Georges Trad elogia a praticidade. “Às vezes chegamos em uma sorveteria e não temos onde sentar”, diz ela. “A maioria das pessoas está de passagem e prefere pegar o sorvete e sair às compras de novo. É mais fácil”, aponta ele, enquanto saboreava uma casquinha.
O proprietário da sorveteria, Adauto Zenco Goia, explica que o espaço reduzido traz muitas vantagens. Entre elas, o fato da loja trabalhar com apenas um item de consumo. “Bauru é uma cidade comercial e não comporta mais lojas. Para se ter sucesso hoje em dia é preciso oferecer serviço diferenciado e com rapidez”, defende.
A agilidade também é o diferencial em um café situado no Calçadão da Batista. Com área aproximada de 16 metros quadrados, o estabelecimento é um dos pontos mais movimentados do Centro. No local, cinco funcionárias se organizaram especialmente para atender os cerca de 100 clientes que freqüentam o local diariamente.
“Enquanto uma passa, a outra espera”, conta a atendente Marissandi Matheus. O “aperto”, no entanto, causa uma sensação aconchegante. “A vantagem é que as pessoas entram e sempre está cheio. Isso atrai bastante”, diz.