A formalidade do serviço público muitas vezes esconde verdadeiros talentos. Quem vê o auditor fiscal da Secretaria Municipal de Finanças Francisco Ramos Mangieri trabalhando, não imagina que ele já editou três livros sobre a vida tributária do município.
A idéia de editar a primeira obra, “Sob a Ótica Municipal - Comentários Objetivos à Lei de Responsabilidade Fiscalâ€, foi incentivada pelas dificuldades que ele encontrou para adaptar a teoria à prática, em meio a tantas alterações de leis e à falta de publicações com exemplos práticos. “A cada trabalho a intenção é escrever um livro prático, que retrate casos concretos do nosso dia-a-dia. Além da teoria, colocamos em discussão casos específicosâ€, conta Mangieri, que está há dez anos na Prefeitura Municipal de Bauru.
Em 2001, ele lançou um novo livro, “ISS - ISSQN - Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza. Teoria Prática - Questões Polêmicasâ€, que rendeu três edições. Com o terceiro trabalho, “O Novo ISS do Município de Bauruâ€, lançado em 2004, ele passou a ser reconhecido nacionalmente.
Outro talento revelado no serviço público é a procuradora do município Gabriela Lucarelli. Há dez anos no cargo, desde o ano passado ela dedica parte do seu tempo às artes plásticas. Toda semana, faz aulas de pintura em óleo sobre tela e aquarela. Seus quadros, marcados pela mistura de cores, retratam a natureza, em especial as flores. “Acho que quanto mais tonalidades uso, mais próximo do real ele ficaâ€, diz.
Gabriela já realizou algumas exposições individuais na prefeitura, onde vendeu cinco telas. Além disso, participou de várias mostras coletivas. Apesar disso, prefere não ser chamada de artista. â€œÉ um hobby. Para quem trabalha com a lei, é uma forma de relaxar, um ponto para extravasarâ€, diz.
Fotografia
Nas horas livres, o motorista da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) José Fernando de Noronha se dedica a uma paixão especial: a fotografia. “Gosto de fotografar e quando saio esqueço do tempoâ€, conta ele. Seus temas preferidos são objetos e figuras que remetem ao surrealismo. Depois de ampliar as imagens em slides coloridos, ele produz trabalhos diferenciados, transformando o lado negativo das fotos em positivo. â€œÉ um experimentalismoâ€, diz.
O resultado rendeu-lhe diversas exposições na cidade, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A expressividade do seu trabalho não tira a modéstia de Noronha. “A arte é uma manifestação estética e uma necessidade natural do ser humano. A fotografia é um hobby para mimâ€, aponta o servidor.