09 de julho de 2026
Política

Servidores públicos revelam talentos

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 2 min

A formalidade do serviço público muitas vezes esconde verdadeiros talentos. Quem vê o auditor fiscal da Secretaria Municipal de Finanças Francisco Ramos Mangieri trabalhando, não imagina que ele já editou três livros sobre a vida tributária do município.

A idéia de editar a primeira obra, “Sob a Ótica Municipal - Comentários Objetivos à Lei de Responsabilidade Fiscal”, foi incentivada pelas dificuldades que ele encontrou para adaptar a teoria à prática, em meio a tantas alterações de leis e à falta de publicações com exemplos práticos. “A cada trabalho a intenção é escrever um livro prático, que retrate casos concretos do nosso dia-a-dia. Além da teoria, colocamos em discussão casos específicos”, conta Mangieri, que está há dez anos na Prefeitura Municipal de Bauru.

Em 2001, ele lançou um novo livro, “ISS - ISSQN - Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza. Teoria Prática - Questões Polêmicas”, que rendeu três edições. Com o terceiro trabalho, “O Novo ISS do Município de Bauru”, lançado em 2004, ele passou a ser reconhecido nacionalmente.

Outro talento revelado no serviço público é a procuradora do município Gabriela Lucarelli. Há dez anos no cargo, desde o ano passado ela dedica parte do seu tempo às artes plásticas. Toda semana, faz aulas de pintura em óleo sobre tela e aquarela. Seus quadros, marcados pela mistura de cores, retratam a natureza, em especial as flores. “Acho que quanto mais tonalidades uso, mais próximo do real ele fica”, diz.

Gabriela já realizou algumas exposições individuais na prefeitura, onde vendeu cinco telas. Além disso, participou de várias mostras coletivas. Apesar disso, prefere não ser chamada de artista. â€œÉ um hobby. Para quem trabalha com a lei, é uma forma de relaxar, um ponto para extravasar”, diz.

Fotografia

Nas horas livres, o motorista da Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) José Fernando de Noronha se dedica a uma paixão especial: a fotografia. “Gosto de fotografar e quando saio esqueço do tempo”, conta ele. Seus temas preferidos são objetos e figuras que remetem ao surrealismo. Depois de ampliar as imagens em slides coloridos, ele produz trabalhos diferenciados, transformando o lado negativo das fotos em positivo. â€œÉ um experimentalismo”, diz.

O resultado rendeu-lhe diversas exposições na cidade, em São Paulo e no Rio de Janeiro. A expressividade do seu trabalho não tira a modéstia de Noronha. “A arte é uma manifestação estética e uma necessidade natural do ser humano. A fotografia é um hobby para mim”, aponta o servidor.