09 de julho de 2026
Bairros

Raio X do crime em sua região

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Os índices de criminalidade estão muito além da frieza dos números. Não é necessário ser bom observador para enxergar entre um algarismo e outro o comportamento, a carência, as dificuldades e os anseios da população residente em cada região de Bauru. As estatísticas também denunciam os obstáculos e os desafios das polícias civil e militar.

Na região noroeste da cidade, por exemplo, a típica aglomeração de casas em bairros como Parque Jaraguá, favorece os atritos entre vizinhos e o conseqüente tensionamento entre os moradores, cita o comandante interino do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), major Pedro Batista Lamoso.

De acordo com ele, existem casos em que as características dos bairros, especialmente os mais carentes de recursos, tornam-se potenciais obstáculos para o policiamento. “Em qualquer parte do mundo, a iluminação é aliada da polícia. A infra-estrutura é extremamente importante para os policias”, reitera o comandante, cujo posicionamento é compartilhado pelo delegado seccional da Polícia Civil, Antonio Ângelo Ciocca.

“A polícia trabalha com as conseqüências da realidade e não com as causas. Por isso, investimos em trabalhos preventivos”, afirma o seccional. Os esforços também aparecem nas entrelinhas das estatísticas, conforme demonstrará a edição de hoje do JC nos Bairros. Para contextualizar as regiões do município, a reportagem elegeu no máximo dois delitos por área.

Avaliação

As avaliações foram embasadas em dois levantamentos distintos, que, embora não sejam idênticos, apontam para a mesma direção. Um foi calculado a partir de informações transmitidas pela Polícia Militar ao longo do ano passado. O outro está respaldado em ocorrências registradas pela polícia civil em 2003 e 2004.

Oficial, apenas os dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública. Eles apontam Bauru como a cidade mais violenta entre municípios próximos como Botucatu e Jaú. Os mesmos números a colocam numa situação confortável quando a comparação é feita com cidades como Araçatuba, Ourinhos e Piracicaba.

A conclusão do levantamento é explicada por meio de índices populacionais, proximidade com a grande São Paulo, vocação migratória e ritmo de desenvolvimento. No entanto, essas variações numéricas seriam menores ou menos graves, caso a distribuição de renda fosse mais palpável no País.

É no que acredita o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru Clodoaldo Meneguello Cardoso. Para ele, um novo mundo é possível a partir da organização popular. Cardoso é coordenador do Núcleo pela Tolerância da universidade, órgão que desenvolve reflexões com grupos de culturas distintas preocupados em promover a paz.