10 de julho de 2026
Bairros

Contraste social estimula ocorrência na área leste

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O variado padrão de construção na zona leste chama atenção. A mesma rua serve de endereço para casebres e mansões. Mas o que seria um espaço “democrático”, transformou-se num ambiente propício para furtos, especialmente de veículos. De um ano para o outro, o delito aumentou 21%, indica o levantamento.

“A estatística dá uma diferença grande, mas em números absolutos a variação é pequena. Acho que essa proximidade grande de classes diferentes pode refletir-se num índice maior de delitos contra o patrimônio. A maior parte das ocorrências é cometida por gente da própria região, que leva coisas de pequeno valor”, afirma o titular do 2.º Distrito Policial, Antonio Carlos Piccino Filho, logo após registrar o furto de um passarinho.

No entanto, foi alto o prejuízo do casal Sueli e Walter Bomfim, moradores do Quinta da Bela Olinda. Eles tiveram a casa invadida três vezes. Numa delas, os assaltantes estouraram a parede de trás da casa, entraram e “limparam tudo”. Em outra ocasião, doparam os três cães de guarda para adentrarem ao imóvel.

“Acho que eles vêm de carroça. É um problema geral na cidade. Eles vendem uma máquina (furtada) por R$ 40,00. É mais do que receberiam num dia de trabalho. O cara ficou desempregado um ano, tem entidade que ajuda, não morreu, ele vai tocando. Tem gente que fica encostado”, argumenta Walter.

Geni Gomes Amorim tem opinião semelhante. Ela mora a no máximo dez quadras do casal, cuja residência é de padrão muito superior. “Um dia minha casa será de alvenaria. Suei muito para ter essa aqui. A pessoa que trabalha, luta, guarda dinheiro e faz sacrifício consegue morar numa casa bonita”, diz. Porém, na mesma avaliação, ela admite que, quem vive mal, cercado de imóveis ostensivos, pode ser motivado a cometer delitos. “Mas desde que tenha a ‘cabeça fraca’”.

Neste caso, a pessoa teria facilidade. “A região pode ser considerada dormitório. Durante o dia, a maioria das casas fica vazias. Além disso, muitas delas estão em núcleos habitacionais, são vulneráveis. Não têm muro nem grades”, informa o comandante da Base Comunitária de Segurança Leste, Milton César Maciel de Moraes.

Dicas

O comandante da Base Comunitária de Segurança Leste, Milton César Maciel de Moraes, recomenda aos moradores da região cuidados que podem servir como obstáculos contra eventuais furtos. “Se o morador tiver condições, ele deve instalar um alarme ou ter cães de guarda. Também deve pedir a um vizinho que fica em casa durante o dia para observar a casa dele e ligar para a polícia caso constate estranhos rondando a rua”, recomenda.

Na opinião de Maciel, a tradicional dica para recolher panfletos e jornais de frente de casa é atualíssima. Com o descuido, o imóvel adquire aparência de abandonado e pode ser alvo de delitos.