No País da informalidade, o crime virou um bom negócio. O adolescente que faz “avião†(transporte) para traficantes ganha, em média, R$ 1.000,00 mensais. O valor é almejado até por universitários recém-formados. Portanto, a concorrência com o “mercado paralelo†beira o impossível.
A avaliação é do professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Clodoaldo Meneguello Cardoso. Ele é coordenador do Núcleo Pela Tolerância da universidade, órgão que desenvolve reflexões com grupos de culturas distintas preocupados em promover a paz. “Precisamos de medidas de distribuição de renda. Precisamos de uma sociedade mais igual e isso não significa ganhar um salário mínimoâ€, adianta.
Para ele, apenas assim será possível mostrar que o crime não compensa. “Não é só punir, mas dar opções. O sistema social e econômico é fator de desigualdade. O que precisamos é de uma profunda reforma tributária, bancária, agrária e urbana. É muito comum ligar a violência ao tráfico de drogas e ao crime organizado, mas se fala pouco da relação do tráfico com a questão socialâ€, diz.
Na opinião dele, o jovem que entra para este meio tem consciência de que pode morrer cedo e sabe das condições do sistema carcerário, mas ainda assim acredita que o crime compensa. “Muitas vezes essa rebeldia do pobre não está canalizada num movimento político-social. Além do projeto de vida, ele tem de estar ligado a um movimento. Toda esse energia de oposição tem de se aproveitadaâ€, ressalta.
Enquanto a organização popular não se fortalecer e frutificar, os crimes serão registrados em escala crescente, especialmente onde a ausência do Estado é menor. “A criminalidade reflete a condição de vida da população. A polícia combate os efeitos, não tem condições nem competência para resolver as causasâ€, reitera o titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J. Cardia. De acordo com ele, dos homicídios de autoria desconhecida registrados em Bauru, 85% são esclarecidos, em média.