Arealva - Aguardente não é mais uma preferência apenas do brasileiro, e os europeus, em especial os alemães, estão descobrindo o sabor da bebida brasileira e pegaram gosto pela cachaça. A cidade de Nuremberg, na Alemanha, será palco de uma feira de negócios em que a aguardente orgânica Tiquara, produzida em Arealva (41 quilômetros a norte de Bauru), será servida durante uma recepção para mais de 1.600 convidados.
Por trás da festa regada a aguardente Tiquara, há uma vitrine em que a marca Brasil conquistou o invejável posto de país-tema da Feira Internacional de Produtos Orgânicos (BioFach 2005), que será realizada de quinta-feira a domingo desta semana em Nuremberg.
Em 2004, a participação brasileira na BioFach, liderada pela Agência de Promoção às Exportações (Apex-Brasil) em parceria com a Câmara de Comércio Brasil-Alemanha, apresentou 43 empresas e gerou um volume de negócios da ordem de US$ 15 milhões. Este ano, a perspectiva é dobrar o valor.
A excelência que será provada pelo alemães começou com o setor de produtos orgânicos brasileiros ganhando espaço nesta década. Produtores e chefs iniciaram um intercâmbio que levou os orgânicos a figurar nos cardápios mais requintados do Brasil. Outro exemplo de resultado positivo foi a aproximação de governo e produtores, o que levou a inclusão de alimentos orgânicos nas merendas escolares de municípios que anteriormente não os incluíam em suas políticas públicas.
Assim é que a cachaça Tiquara vem arrebatando a preferência e o público visitante da BioFach 2005 poderá experimentar o sabor brasileiro. Durante a feira, a pinga estará exposta no estande do Ministério de Desenvolvimento Agrário, ao lado de outros produtos da agricultura familiar.
A Câmara de Comercio Brasil-Alemanha, braço brasileiro que dá suporte ao evento, informou que a cachaça Tiquara será a única servida no jantar. Ainda serão apreciadas bebidas orgânicas como vinho e sucos. Para matar a fome dos europeus é previsto um jantar com comidas típicas e feitas totalmente com produtos orgânicos brasileiros.
A Câmara banca o embarque hoje em São Paulo de uma quantidade de aguardente, que não foi divulgada pela empresa fabricante em Arealva, que leva o mesmo nome da marca. O grande interesse dos expositores na BioFach 2005 é dissiminar suas marcas para pessoas de todo o mundo, garantindo a divulgação internacional e fixação do produto no mercado externo. Além de funcionar como vitrine, um evento da dimensão da BioFach abre portas para futuros negócios de exportação. A empresa de Arealva participará de rodadas de negócios pelo Sebrae e pelo Eurocentro Mendonça da Argentina.
O produto brasileiro ganhou bastante espaço no Exterior e, a reboque da expansão, os orgânicos registram crescimento médio de 5% ao ano no mundo. No mercado brasileiro, o aumento é de 8%. Os produtores afinam o discurso com a moda e dizem que a tendência de aumento de consumo de orgânicos é pela maior conscientização da população. Eles apostam que o consumidor brasileiro está realmente mais exigente. As pessoas estariam procurando produtos que fazem bem, livres de agrotóxicos, que não poluem o meio ambiente e, principalmente, tendem a manter o homem no campo. O resultado é que o segmento dos orgânicos produz pouco. Algo em torno de R$ 100 milhões apenas. Entretanto o potencial, pela qualidade do produto, é de que o setor de orgânicos impulsione negócios no Exterior.
BioFach é verde-e-amarela
As cores da edição da BioFach de 2005 serão verde-e-amarela. O Brasil será o tema da feira e levará a Nuremberg, Alemanha, demonstrações da cultura e da produção nacional de orgânicos. Os visitantes poderão conhecer, de quinta a domingo desta semana, um pouco mais da gastronomia brasileira, como os drinks feitos com cachaça Tiquara e frutas tropicais e a tapioca.
Além do pavilhão ocupado na BioFach 2003 e 2004, este ano o Brasil terá uma área extra de 490 metros quadrados, em local de grande visibilidade. A marca Brasil também estará estampada por toda a feira e os produtos cosméticos e naturais ganham espaço nos pavilhões setoriais.
Para recepcionar os convidados da feira, será oferecido um coquetel com sofisticados e exóticos sucos de frutas tropicais e especiarias. A tapioca será a base dos canapés (fingerfoods), que terão variados recheios. Também farão parte do cardápio caldos quentes com misturas inusitadas, como castanha de caju, maracujá e pimenta. A Bionight, happy hour que acontece no segundo dia de feira, oferecerá desde a caipirinha tradicional, até os soft drinks e vinhos brasileiros. A bossa nova, o samba e o forró embalam a Bionight.
No sábado, terceira noite da BioFach, será a “noite de gala†brasileira. Os convidados serão recebidos com drinks típicos, como batidas de amendoim, coco e maracujá, além da caipirinha. A ambientação será constituída de cores, imagens e sons do Brasil. No jantar, um chef brasileiro e um alemão irão misturar sabores tropicais à culinária germânica, criando um surpreendente intercâmbio gastronômico.
A música brasileira estará representada nos shows dos músicos Yamandú Costa e Armandinho. Passeando pelos clássicos populares até ritmos modernos, o objetivo é traçar um paralelo entre a capacidade criativa e de inovação e os resultados positivos da qualidade dos produtos brasileiros.