Há tempos não ouvimos uma frase com tanta verdade e bom senso como a que foi dita e publicada no JC de 2/2/05, pelo ex-secretário da Semma, sr. Kobayashi, ou seja, a de que os moradores de Bauru têm aversão a árvores, pois as vêem como fonte de problemas e sujeira. Segundo divulgações, o atual secretário pretende implantar em Bauru um programa de arborização de longo prazo, firmando convênio com a Esalq (Escola Superior de Agricultura). Acreditamos que seja uma proposta consistente e séria de planejamento ambiental, que contará ainda com a ajuda da Unesp local.
Apenas esperamos que a pretendida “substituição de árvores problemáticas” não seja tão traumática e não torne a cidade, a curto prazo, mais árida do que já é, que não acabe atendendo a pedidos de oportunistas que queiram se livrar das árvores, pois, a despeito da legislação em vigor, o que se observa é uma devastação sem fim. São pessoas sem critério nem qualificação que destroem o que julgam ser sua “propriedade”: são árvores podadas para fins estéticos, são árvores mutiladas e arrancadas para viabilizar construções, reformas e visibilidade de fachadas, para prevenir “sujeira” das folhas e para resolver o problema de pragas. Argumentos não faltam, quase todos decorrentes da ignorância, insensibilidade e ausência de cidadania.
Pois bem, no começo do ano, uma praça do Jardim Europa foi podada drasticamente em atendimento a reclamações de alguns moradores locais. Pessoas que vivem bem, em casas com portões eletrônicos e cercas elétricas, conseguiram da Semma que árvores maravilhosas fossem podadas, a pretexto de segurança e limpeza, e, pasmem vocês, de alegações de cunho moralista, para impedir que indivíduos permanecessem à noite na praça, que namorassem, etc.
Cabe aqui lembrar que, além de alguns carroceiros que jogam lixo nesse lugar, sabem quem também faz isso? Alguns moradores do próprio lugar, gente considerada de “bom nível”. Foram necessárias várias viagens de caminhão para levar embora os galhos serrados, e a praça, que era uma sinfonia para nossos ouvidos por abrigar inúmeros pássaros e maritacas, emudeceu. As aves, de quem já tomamos as matas, fugiram assustadas mais uma vez.
Desejamos, portanto, sorte ao secretário Carlos Barbieri. Vai precisar. Ressalvando-se pessoas e ONGs que respeitam os seres vivos (humanos, vegetais e animais), e se dedicam à preservação dos bens comuns, Bauru não tem um programa de conscientização nem uma política séria punitiva aos infratores, mas uma visão utilitária e imediatista, aliás, é o que impera no resto do país.
Por sinal, o vereador João Parreira de Miranda quer agravar esse quadro de desmandos e despreocupação comos bens naturais. Quer descaracterizar o oportuno, corajoso e excelente projeto de lei proposto pelo vereador Rodrigo Agostinho, rebaixando o valor da multa por desperdício de água para ínfimos 10% do consumo, ou seja, nada vai mudar. Chega de demagogia, falta de coragem e visão. A população esclarecida de Bauru espera que a Câmara de Vereadores não protele mais o assunto e aprove esse projeto.
Por conveniência e omissão, já convivemos com uma chaga viva em Bauru, além de nossas mazelas sociais, é claro. Referimo-nos às dezenas de carroças que trafegam com animais em condições absolutamente lastimáveis, chicoteados e maltratados a olhos vistos. Esse é outro assunto que precisa, com urgência e sem demagogia, ser encarado de frente. (José Maurício Viana de Macedo - RG 6.527.158 e Vera R. Jeanete Cardoso - professora, ambientalista - RG 14.557097)