Campanhas há sumamente meritórias. Notadamente as que visam ao extermínio de elementos patogênicos que incidem sobre a população. E tanto se deve à genialidade de cientistas que criaram vacinas como a BCG, contra o tétano, febre amarela, poliomielite e tantas outras que erradicaram para sempre os males que dizimaram ou marcaram para sempre tantas pessoas.
Empenha-se o país na erradicação da febre aftosa e brucelose, para manter o alto índice de exportação alcançado ultimamente. Fácil, muito fácil, aceitar e divulgar essas campanhas que mostram de imediato e forma convincente os altos benefícios que se buscam.
Não se pode afirmar o mesmo a respeito do projeto de lei de nossa Câmara Municipal centrado no fornecimento de água da cidade. Pretende o nobre edil resolver a escassez do produto com a aplicação de multas aos usuários. Em contrapartida, não pode, como os geniais cientistas, garantir o fornecimento normal de água com o pagamento de multas.
Sabe-se: entrará mais dinheiro nos cofres da prefeitura e nos meses de setembro a dezembro, menos água nas torneiras da cidade. Pergunta-se: o dinheiro arrecadado com as multas aplicadas garantirá o fornecimento de água? Bauru, senhor vereador, tem sete universidades. Com o advento da mecanização agrícola, milhares de trabalhadores rurais deixam a zona rural e buscam as cidades. Não estão preparados para essa nova empreitada; não têm qualquer especialização. E mais desempregados; e favelas; e furtos, porque a fome é uma péssima conselheira. Mas esse caudal toma água; toma banho; lava a roupa. Usam água! Máquinas gigantescas promovem o arroteamento das terras. Águas da chuva encarregam-se do assoreamento dos rios. Há destruição da mata ciliar e o rio Batalha não resiste a tantas desgraças e não tem como fugir à inclemência dos raios solares.
Há evaporação. Funcionários ciosos informam ser crítica a situação do reservatório. O fato repetir-se-á por anos e anos. Araçatuba resolveu o problema com a canalização do rio Tietê. Por que Bauru não pensou ainda neste recurso? Em princípio, não sou contra a multa, mas contra a falta de água nas torneiras. Se o pagamento da multa garantir o pleno fornecimento de água, estou de pleno acordo com V. Excelência. Caso contrário...
Contrariando o grande dramaturgo e jornalista Nélson Rodrigues que disse que “toda unanimidade é burra”, gostaria de cumprimentar a cada edil pela eleição do presidente Garmes, por unanimidade. Pena que esse discernimento não haja chegado à Câmara Federal... (Álvaro Baptista Pontes - RG 2.477.567)