08 de julho de 2026
Cultura

Dança circular

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Imagine movimentos e músicas que proporcionem viagens a outros lugares, outros países e outras épocas, além de sensações de alegria, paz e integração com as pessoas. A dança circular é tudo isso e um pouquinho mais.

Surgida na Escócia, em meados do século passado, a dança se propagou pelo mundo e hoje tem multiplicadores em diversos países, entre eles o Brasil. Em Bauru, há um grupo que se reúne quinzenalmente para praticar e difundir a dança circular.

Quem experimenta uma vez, afirma que não pretende parar de dançar. É o caso da psicóloga Ana Cristina Pereira, que participa de encontros de dança circular em Bauru. “Quem dança não pára mais porque é muito... A sensação é meio indefinível. É bastante alegria, euforia e relaxamento. É um estado em que você está bem feliz, bem solto”, expõe.

Para praticá-la, os participantes se reúnem em um círculo e, inicialmente, se apresentam. Aos iniciantes, o coordenador do grupo explica o que é a dança circular. Posteriormente, sempre em círculo e ao som de músicas étnicas, como indígenas, o grupo passa a fazer movimentos em sincronia.

“Cada música requer passos específicos, que são muito simples. Sempre com objetivo de saudar, celebrar e integrar. Essas são as palavras que regem a dança circular”, afirma.

Ana Cristina conta que os ritmos são variados. A intenção é que os participantes sejam “transportados” para os locais de origem das músicas tocadas. “Às vezes, é um ritmo grego. Depois, um ritmo que te remete aos Alpes, ou à Índia. Da última vez que eu dancei, era um mantra indiano. Podem ser ritmos primitivos também”, diz.

Não há pré-requisitos para praticar a dança circular. Ou seja, podem participar crianças, jovens, adultos ou idosos. “O grande barato é que todo mundo dança. Você não depende de um par. É dança de roda mesmo”, acrescenta a psicóloga.

Após uma hora e meia de encontro, que é o tempo médio de duração de cada reunião de prática da dança, os participantes revelam que alcançam a também a desinibição. Vera Padilha, por exemplo, participou apenas de dois encontros e afirma que nunca sentiu nada igual.

“Eu acho que é uma integração com você mesmo, além de você se integrar com as outras pessoas. Dá uma paz muito grande. São sensações diferentes. Eu já não pretendo mais parar”, frisa.

A aposentada Leocádia Padilha Lemos destaca que não tem palavras para definir o que se sente praticando a dança circular. “É excelente. É tão gostoso que não dá nem para explicar. Você se esquece de tudo. É muito bom. Parece que você fica leve e vai para outro lugar”, diz.

Serviço

Outras informações sobre encontros de dança circular podem ser obtidas através do telefone (14) 3239-9218. O valor de cada participação é de R$ 10,00.

O que é?

A dança circular teve sua grande repercussão a partir da comunidade de Findhorn, situada no norte da Escócia, e graças ao coreógrafo e bailarino alemão Bernhard Wosien (1908-1986).

Em 1976, ele ensinou pela primeira vez uma coletânea de danças folclóricas aos moradores da comunidade. Com mais de 60 anos de idade, o bailarino procurava uma prática corporal mais orgânica para expressar seus sentimentos.

Desde então, centenas de danças foram incorporadas ao conjunto que passou a se chamar danças circulares e que se espalhou pelo mundo todo.

O objetivo é unir as pessoas, proporcionar alegria e paz e conscientizar para um trabalho interior consigo mesmo e com o outro. As danças são vivenciadas em praças, parques, escolas, hospitais e empresas, confirmando seu potencial harmonizador.

No círculo da dança circular são usadas músicas étnicas, clássicas e new age. Dança-se de mãos dadas; cantando as raízes, o folclore, o regional e a oração dos diversos povos e culturas do planeta.

Os passos vão dos mais simples aos mais elaborados. O enfoque na dança circular não é a técnica. É o sentimento de união de grupo e o espírito comunitário.

A dança circular ajuda o indivíduo a tomar consciência de seu corpo físico, acalmar seu emocional, trabalhar sua concentração e memória e, principalmente, entrar em contato com uma linguagem simbólica, metafórica e transcedental.