Avaí – O Ministério da Educação indeferiu a indicação de uma professora da aldeia Tereguá na reserva indígena de Araribá, em Avaí (39 quilômetros a Noroeste de Bauru), para dar aulas a guaranis e terenas da tribo. O cacique da aldeia, Antonísio Lulu, conhecido como Daran, garantiu ontem que não aceitará outro professor que não seja a índia indicada pela tribo. O líder indígena diz que a aldeia quer aulas com a índia Patuery, que pertence à etnia cruaia. Por não ser nem guarani e nem terena, Patuery teve sua indicação negada, com base na resolução do MEC 03/99.
A dirigente regional de ensino de Bauru, Vera Nilce Lüdke Jarussi, esteve reunida ontem à tarde com um representante da Fundação Nacional do Índio (Funai-Bauru), quando foi confirmada que prevalecerá a decisão do Ministério da Educação. “A lei diz que tem que ser de uma dessas etnias para que possa atender os alunos”, definiu. Ela explica que o impasse será contornado para que os alunos guaranis e terenas matriculados nas escolas das aldeias não sejam prejudicados.
O assistente técnico de planejamento da Diretoria Regional de Ensino, Paulo Maximineo, explica que não é a primeira vez que há discordância dos índios na indicação de professores. Ele explica que, no ano passado, foi feita uma reunião na reserva indígena de Araribá com toda comunidade, em que se expôs a legislação federal.
Hoje a reserva de Araribá possui cinco aldeias onde predominam as etnias terena e guarani. Maximineo ressalta que, há alguns anos, havia escolas na aldeia terena kopenoty e na guarani Nimuendaju e que atendiam todas as tribos. Os prédios foram construídos pelo município de Avaí com recursos da Secretaria Estadual da Educação. Após a criação da tribo Ekeruá, os índios desta aldeia adaptaram um galpão como escola para abrigar seus alunos.
Desde 2004, a tribo Tereguás passou a ter uma escola, que funciona no prédio da Nimuendaju. Maximineo diz que já existe projeto na Secretaria de Educação para a construção de duas escolas, uma na aldeia Tereguá e outra na Ekeruá. Ele explica que também a aldeia Pyhau pleiteia um prédio escolar.
Tereguá
O principal argumento do cacique Daran para não abrir mão da indicação da índia Patuery é o fato dela estar há 30 anos na comunidade. O cacique justifica a opção da tribo Tereguá pois ela estaria entrosada com a comunidade. Ele comenta que a índia, que é sua esposa, faz palestras para os índios e conhece os costumes da aldeia (danças e músicas).
Daran conta que a tribo é formada por 26 famílias e que existem 14 alunos entre terenas e guaranis. Ele acrescenta que haveria um descontentamento na tribo pela escolha de um professor que seja mestiço e resida na zona urbana de Avaí.