08 de julho de 2026
Bairros

Incêndio provoca migração de insetos

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

A estratégia de espantar os insetos de casa ateando fogo em terrenos com mato alto é traiçoeira. A migração de aranhas e escorpiões, por exemplo, pode seguir em direção ao imóvel de quem lançou mão da iniciativa. O alerta é do coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito.

De acordo com ele, a medida ainda provoca empobrecimento do solo, danos atmosféricos e risco de vida aos moradores. “Os gases emanados da queima do lixo são perigosos. Algumas substâncias liberadas se associam à hemoglobina do sangue e podem provocar um bloqueio no sistema nervoso central. A pessoa tenta reagir e não consegue. Pode ficar com seqüelas e até morrer”, frisa.

Apesar da ameaça, a possibilidade de fogo espontâneo em Bauru é quase inexistente, diz o coordenador da Defesa Civil. Portanto, a propagação das chamas sempre vêm à reboque da ação humana, como aconteceu ontem na quadra 3 na rua Afro França, na Vila São Manuel. A ocorrência foi comunicada ao Corpo de Bombeiros como incêndio no interior de residência, mas as labaredas queimavam a vegetação do terreno ao lado.

Casos da mesma natureza já somam 31 somente neste ano. “A maioria (das ocorrências atendidas) é em terreno baldio e pastagens, mas às vezes acontece no cerrado, em lixo acumulado na rua e em caçambas para depósitos. Procuramos atender tudo, mas em situações críticas, priorizamos as ocorrências com casas em risco, áreas com animais e de preservação ambiental”, explica o tenente do Corpo de Bombeiros, Luís Antonio França Carvalho.

Ele explica que quando o fogo atinge pastagem, normalmente a corporação recebe apoio de colaboradores como funcionários de propriedades rurais. Ambientalistas também auxiliam quando o problema incide em áreas de preservação ambiental.

“Ontem (anteontem) fui chamado para controlar um foco próximo ao Córrego do Barreirinho. Mas na metade do ano essas ocorrências são mais freqüentes”, acrescenta o secretário-executivo do Instituto Ambiental Vidágua, Ivan Alexandre Ferrazoli De Marche. A ajuda é importante nestes casos porque o fogo é debelado especialmente por meio de abafadores manipulados pela força humana.

“Não tivemos grandes incêndios florestais. Por enquanto está tranqüilo. A incidência de fogo em mato alto é maior das 14h às 16h, horário em que o sol está mais forte. Acontece mais na periferia”, conclui França. Ontem à tarde, o JC contou sete pontos de fogo apenas no bairro São Manuel.