10 de julho de 2026
Bairros

Fogo em mato se propaga por Bauru

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A combinação entre mato alto e chuvas escassas, mesmo que por pequeno período de tempo, literalmente pega fogo. Num rápido giro pelos bairros de Bauru, sem esforço, é possível notar pontos com fumaça espalhados pela cidade. Em grande parte dos casos, ela não mobiliza o Corpo de Bombeiros, mas importuna os moradores.

Previsão

Uma boa notícia para quem aguarda dias menos quentes: a massa de ar seco está perdendo intensidade e, a partir de amanhã, pancadas de chuva serão mais freqüentes no Estado de São Paulo. Já no sábado, o céu estará encoberto e as temperaturas mais amenas.

As previsões do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) também indicam trovoadas, que podem vir acompanhadas por rajadas de vento, em todas as regiões do Estado.

“A última chuva mais significativa foi registrada no dia 5 deste mês. As temperaturas máximas dos últimos dias têm chegado a 34 graus, o que é normal para o período do ano. Mas não dá para saber quanto a temperatura vai cair (a partir de sábado)”, informa a meteorologista do órgão, Ana Beatriz Porto.

“Não agüento mais. Desde 1992, quando mudei para cá, sou obrigado a conviver com queimadas. Os proprietários de lote passam inseticida para secar o mato e deixam a Deus dará. Esperam qualquer um passar e atear fogo. Eu tenho criança com 1 ano”, comenta o servidor público e presidente da Associação de Moradores da Vila São Francisco, Jayme Luzia Filho.

Mas em alguns casos, os munícipes preferem conviver com fumaça e risco de incêndio a compartilhar o mesmo espaço com insetos, como aranha e escorpião. Fernanda Aparecida Marcondes é um exemplo. Ela mora na vila São Manuel com o marido e o filho de 1 ano e 3 meses.

“Coloco fogo para limpar o terreno. O mato cresceu e entra aranha dentro de casa”, afirma de modo tranqüilo, apesar das labaredas tilintarem a poucos centímetros do imóvel de madeira. A mesma calma foi demonstrada por um vizinho dela, que preferiu não se identificar. Ele também considera o fogo aliado no combate às aranhas. “Ninguém faz nada pelo bairro, a gente tem que se virar”, reclama.

Para evitar situações como esta, a Secretaria Municipal do Planejamento (Seplan) faz mais um alerta aos proprietários de imóveis. Eles devem proceder a capinação e limpeza de terrenos, principalmente nesta época do ano, opós as chuvas são freqüentes que favorecem crescimento de mato.

Mas se os lotes permanecerem irregulares, seus responsáveis serão notificados e terão 20 dias para providenciar a adequação do local. Vencido o prazo, será emitido um auto de infração correspondente a 10% do valor venal do imóvel, informa a assessoria de imprensa. Conforme o JC publicou, mais de 1.800 processos estão em fase de cobrança.

O volume reflete a alta de aproximadamente 1.300% no total de queixas referentes à mato alto registradas pela Seplan. A média de cinco ligações diárias passou para cerca de 70 desde janeiro. “Donos dos terrenos sem edificação e abandonados, desocupados por força de especulação imobiliária, deveriam arcar com impostos progressivos. Só assim as reclamações cessariam”, conclui Luzia Filho.