08 de julho de 2026
Geral

Ernesto Monte contra-ataca anexação

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 3 min

Salas de aula reformadas, com piso e vitrôs das janelas novos, lousas recuperadas, paredes pintadas, corredores recém-azulejados e carpinteiro terminando a restauração do famoso anfiteatro que tem piso de peroba-rosa. É o que vê quem entra na escola estadual Ernesto Monte, uma das mais tradicionais e antigas de Bauru e que o prefeito Tuga Angerami (PDT) cobiça anexar ao Palácio das Cerejeiras, fazendo do prédio da década de 30 uma extensão da prefeitura.

Apesar de a Secretaria do Estado da Educação já ter descartada a cessão do prédio para a prefeitura, a direção da escola não esconde que está empenhada na reforma para evitar qualquer possibilidade da proposta do prefeito vingar. “Estamos unindo forças e inclusive pedindo apoio da sociedade para a escola não fechar”, assume a professora Elci Papassoni Fernandes, que coordena a reforma.

Nesta luta em prol da escola, está programada inclusive visita do secretário do Estado de Educação, Gabriel Chalita, e da primeira-dama, Lu Alckmin, para o próximo dia 5. “Eles virão entregar um kit de padaria para a escola, que assim passará a oferecer curso de panificação aos alunos e interessados através do Programa Escola da Família, além de produzir pãozinho para a merenda”, frisa Elci.

Surpresa com as manifestações de apoio pela manutenção do Ernesto Monte como escola, Heloíse Helena Cerqueira de Souza, diretora da unidade de ensino, diz que, curiosamente, aumentou o número de alunos interessados em estudar no colégio.

“Neste início de ano, depois que saiu esta proposta de anexar a escola à prefeitura, recebemos muitos pedidos de transferência. Estamos com as salas lotadas. Ninguém quer a escola fechada. Somos uma boa escola. Daqui saem alunos que passam em vestibulares como o da Unesp”, comenta.

Tuga propôs a anexação do Ernesto Monte à prefeitura para reduzir custos com aluguel. De acordo com ele, se os alunos fossem distribuídos entre outras escolas e o Estado aprovasse o pedido, a administração municipal poderia economizar R$ 50 mil.

A diretora ressalta que apesar de estar reformando a escola desde que chegou à unidade, há 15 anos, agora é que as obras ganharam ritmo. E os alunos aprovam. “Estudei aqui há alguns anos e, agora que voltei, a escola me surpreendeu. Está muito melhor”, diz Deyvid Mayson Rios de Carvalho, 16 anos, aluno do 1.º ano do ensino médio.

Entre as mudanças advindas da reforma, Willian Abílio Ferreira, 15 anos, aluno do 2.º ano do ensino médio, destaca a sala de leitura, instalada onde funcionava a secretaria. “Ficou muito legal e até ajuda a gente a ler mais”, diz.

No que depender de Renato Ferreira da Silva, 16 anos, aluno do 2.º ano do ensino médio, a escola vai continuar bem conservada. “As paredes das salas de aula eram pichadas, as lousas estavam ruins. Agora melhorou e cabe a nós manter tudo assim. Dá até mais ânimo para estudar”, afirma.

Elci relata que a escola já esteve em péssimo estado de conservação. “O piso das salas de aula, que originalmente era de madeira e depois foi trocado para paviflex, estava todo quebrado. A cozinha tinha infiltrações, as lousas estavam danificadas e os vidros, quebrados”, enumera.

Escola

Atualmente, estudam no Ernesto Monte quase 1.600 alunos de vários bairros de Bauru. A escola tem ensinos fundamental (de 5.ª a 8.ª série) e médio (antigo colegial) e supletivo. Conta com projetos como a Banda Marcial, grupos de teatro, dança, canto e programas sócio-educativos como o Jovens Construindo a Cidadania (JCC), numa parceria com a Polícia Militar, e o JC na Escola, iniciativa do Jornal da Cidade que leva praças de leitura às escolas.