09 de julho de 2026
Turismo

Eu estive lá - Patagônia gelada

*Muricy Domingues e Maria Luiza Corrêa
| Tempo de leitura: 5 min

Há várias formas de se conhecer a Patagônia e, entre elas, temos os cruzeiros marítimos. Escolhemos um cruzeiro de 14 dias, saindo de Buenos Aires e terminando em Valparaíso/Santiago.

Veteranos de outros cruzeiros, nunca tínhamos realizado a experiência de navegar ao sul do continente: foi o nosso objetivo principal.

Embarcamos no Royal Princess (Princesa Real), nome dado em homenagem a Lady Diana, que foi a madrinha de seu lançamento. É um navio de 1984, portanto com 20 anos e se equipara a um hotel de cinco estrelas, com todo o conforto desejado por um navegante. Suas cabinas são de boa qualidade, seus restaurantes com excelente comida e o atendimento de bordo é nota 10.

Na cidade de Puerto Madryn (Argentina), encontramos uma cidade na borda da estepe e do mar, tipicamente uma Guarujá para aqueles argentinos que vêm passar seu verão no litoral. No shopping, assistimos danças típicas, com adultos e crianças. No país ouvimos muita música própria e pouca importada.

A praia de Madryn atrai turistas de todo o interior, próximo da latitude de Bariloche (na cordilheira), todo o Departamento de Chubut. Consideramos que é difícil nadar, pois a temperatura da água é “fria”.

Da Argentina navegamos para as famosas Falklands Islands (ou Islas Malvinas?), onde os efeitos da guerra são visíveis nos avisos de perigo de minas. Porto Stanley - capital - tem pequena população (pouco mais de dois mil habitantes) e recebe os turistas através de lanchas - não há píer de atracação.

As ilhas pertencem ao governo britânico, portanto as tradições são mantidas, a exemplo das cabines telefônicas em frente do prédio dos Correios. Cópias fiéis das londrinas.

A Casa do Governador fica na Ross Road (litorânea), não há guardas e há um aviso: não entre se não houver agendado. O governador casou-se no ano passado e o traje do noivo (farda) e o vestido da noiva foram doados ao Museu da Cidade, onde encontramos muito material do século 19 e, até, armas argentinas empregadas na guerra. Fizemos um passeio a pé pela cidade, um “footour”.

No navio há artistas de todas as áreas: música (cantores, corpo de dança, orquestra, trio e dupla), professores de dança, pintura, exercícios, mas o destaque fica para os cozinheiros-artistas, que esculpem em legumes e frutas, verdadeiras obras de arte, como rostos na melancia.

Na seqüência, passamos, no extremo sul do continente americano pelo Cabo Horn, onde as condições do tempo não eram as ideais. Havia principalmente forte neblina, nessa região onde há o encontro dos dois oceanos – Atlântico/Pacífico e freqüente de instabilidade oceânica. Estávamos em pleno verão. Imaginem no inverno! Essa passagem e a do Estreito de Magalhães perderam suas funções com a construção do Canal do Panamá.

A literatura geográfica informa que Ushuaia (Argentina) é a cidade mais meridional do planeta, inclusive com o farol do fim do mundo, que deu origem a um livro - de Júlio Verne, e um filme com o ator Kirk Douglas. As placas indicam as direções e a presença argentina. É uma cidade muito simpática e acolhedora.

É linda a visão da baia de Ushuaia, com o Royal Princess atracado. Neste caso, fica mais fácil a saída do turista e o seu retorno, principalmente porque a cidade está no final do píer. Tiramos uma foto de um mirante na parte superior da cidade.

Através da Internet soubemos que o professor José Carlos havia se aposentado no magistério estadual de São Paulo e, para comemorar fomos a um bar “cerverjar” e comer batatinha frita, pois é um dia muito importante na vida de um professor que trabalhou mais de 30 anos. Obrigado Verinha e Teresa. A cerveja estava com um sabor muito especial.

Em Punta Arenas (Chile) há um pinguinário muito conhecido, com espécies do tipo “Magalhães” (de menor porte do que o Imperial). Vivendo em comunidade, os pingüins voltam sempre ao lugar onde nasceram. O frio estava intenso (lembramos sempre que é verão) e os pingüins felizes e nós? brrrrrrrrr.

Chamei atenção do rapazinho (o pingüim), adulando-o pela beleza e o que ganhei? Uma bela pose e uma bela fotografia. Vivem aos pares, habitam em tocas, saindo toda manhã para pescar e retornam à tarde para “casa”. São elegantes e mansos.

A Praça de Armas, principal da cidade de Punta Arenas, é o coração urbano. Ali vamos encontrar a Catedral, o centro de informação turística, órgãos públicos e o comércio de artesanato, justo no ponto onde desembarcam os turistas que vem dos navios.

A estátua de Fernando de Magalhães, o grande navegador português que cruzou a região pela primeira vez, tem ponto de destaque na Praça das Armas, inclusive em sua parte inferior há um índio em que se passa a mão para voltar outras vezes. O mesmo da mulher de Bruxelas.

A Geleira Amália, localizada ao fundo de um fjord é atingida lentamente pelo navio, possibilitando inúmeras fotos e a beleza indescritível dos icebergs que se soltam da língua glaciária. Evidente, o frio é presente e também a formação de neblina.

Outra geleira atingida pelo navio é a Pio XI, também de rara beleza e com inúmeras morainas (blocos de pedras) arrancadas do continente e que são lançadas ao mar.

O vulcão Maká é uma das atrações próximas do canal em que navegamos. Tem mais de quatro mil metros e é ativo, sempre coberto de neves eternas.

Em Puerto Montti não pudemos desembarcar, pois os ventos estavam muito fortes e o desembarque seria um risco, principalmente o retorno, quando o tempo poderia se alterar.

Finalmente chegamos a Valparaíso, principal porto chileno, onde embarcamos em ônibus nos direcionando para Santiago. Durante a viagem, cruzamos vales ocupados por cultivos resultantes de irrigação e áreas de extração de cobre.

Valeu principalmente pelo Vale Casablanca e suas culturas. Em Santiago, fomos para o aeroporto tomar o vôo de volta para São Paulo.

Obrigado pelas sempre excelentes companhias de viagem, os professores José Carlos Rodrigues Rocha, Rita Chaim e a Norma Rodrigues Rocha. Até a próxima viagem...”

* Ex-professor de geografia no turismo da USC

** Professora e psicóloga pela USC