A diarista Aparecida de Fátima Oliveira trabalha há mais de 15 anos em casas de família e afirma que nunca ficou desempregada. Ela é uma das representantes de uma realidade constatada em pesquisa divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que, entre várias outras situações, mostrou que o trabalho doméstico é a segunda maior categoria de emprego entre as mulheres.
Os dados da Síntese de Indicadores Sociais referem-se a levantamentos feitos em 2003. Mas no que diz respeito à categoria de emprego, o supervisor estadual de disseminação de informações do IBGE, Antônio Luiz Carvalho Leme, afirma se tratar de uma tendência verificada há mais de 12 anos.
De acordo com a pesquisa, a distribuição das mulheres segundo sua ocupação em 2003 foi a seguinte: 41,6% eram empregadas (trabalhadoras remuneradas atuando nas mais diversas profissões); 18,6% trabalhadoras domésticas; 17,5% trabalhavam por conta própria; 10,1% não eram remuneradas; 9,5% militares e estatutárias e 2,7% eram empregadoras.
A advogada e presidente do Sindicato dos Empregadores Domésticos de Bauru, Ângela Maria Leal Maeda, confirma que a contratação de trabalhadoras domésticas tem aumentado ano a ano. A entidade disponibiliza, inclusive, o currículo de várias candidatas para o empregador que quiser avaliar suas aptidões e experiências anteriores.
“Tem aumentado muito a procura por empregadas domésticas para trabalhar em casas onde vivem pessoas idosas e que precisam de cuidados. Além disso, a própria realidade de mais mulheres trabalhando fora leva à contratação dessas profissionais do lar para cuidar da casa e, às vezes, dos filhos das contratantes”, observa Ângela.
Ainda segundo ela, muitas mulheres que trabalhavam no comércio ou indústria e demoram muito tempo para conseguir se recolocar no mercado de trabalho, acabam partindo para o trabalho doméstico, que sempre tem demanda.
A diarista Aparecida de Fátima Oliveira garante que, para quem tem boas referências e vontade de trabalhar, sempre haverá emprego.
“No começo eu trabalhava como mensalista, em uma casa só. Mas já faz 15 anos que eu trabalho como diarista e nunca fiquei um dia sem trabalhar. De sábado e domingo eu descanso, mas se quisesse trabalhar, teria emprego garantido”, conta Fátima.
Entre os cinco dias da semana, apenas em dois ela trabalha na mesma casa. Em cada residência ela faz serviços diferentes.
“Tem uma casa onde eu só faço faxina e o almoço. Em outra, eu cozinho, lavo e passo. Enfim, faço de tudo um pouco em vários empregos. Geralmente, a gente ganha mais como diarista, a não ser em alguns casos que o patrão tem muito dinheiro e paga bem (a mensalista)”, conta. Fátima vive exclusivamente da sua renda e está construindo sua própria casa.
Depois que teve seu segundo filho, agora com 7 meses de idade, a fonoaudióloga Sônia Valéria Tavares Zanardi Creppe se viu “obrigada” a contratar uma empregada doméstica. “Eu trabalho fora meio período, e ficou difícil conciliar a profissão com os filhos e os serviços domésticos. Contratei a Cidinha por indicação de uma amiga e estou muito satisfeita. Ela faz tudo em casa.”
Maria Aparecida de Menezes, a Cidinha, conta que antes de ser contratada por Sônia estava trabalhando em um restaurante. “Mas a empresa fechou e eu estava demorando muito para achar outro emprego. Foi quando surgiu a possibilidade de trabalhar na casa da dona Sônia e eu aceitei na hora. Estou adorando meu novo trabalho”, garante.
Maria Aparecida de Oliveira Gomes está trabalhando há três anos na mesma casa, mas está estudando para realizar o sonho de cursar enfermagem.
“A minha patroa é ótima, ela me valoriza. Para quem trabalha direito, sempre tem serviço. Mas também é bom ter estudo, porque tem patrão que dá preferência a quem passou mais tempo na escola”, observa.