08 de julho de 2026
Geral

Chafarizes sobrevivem só na memória

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Há anos o chafariz da Praça Itália, situada no início da avenida Pedro de Toledo, não consegue se sobrepor ao vaivém de carros. Pichado e sem manutenção, ele passa despercebido para a maioria dos munícipes em trânsito. Não lembra nem de perto a fonte luminosa que marcou a infância do sapateiro José Carlos Fabiano, para quem os áureos tempos da obra permanecem vivos na memória.

Recordação é mesmo o que resta para as bicas de água já instaladas em Bauru. Todas foram desativadas e abandonadas. “Não tem mais nenhuma funcionando. Eu lamento. Quando era criança, ficava encantado com o chafariz. Agora virou problema de saúde pública. Quando chove, fica água acumulada, bom para a procriação da dengue. Já procurei várias vezes a Saúde (Secretaria da Saúde). Sugeri que colocassem areia grossa”, comenta Fabiano.

Apesar da expressão de desalento e da cabeça já branca, o sapateiro ainda se orgulha em dizer que as fontes da Praça Itália e da Praça Espanha foram construídas nas terras do avô dele, posteriormente desapropriadas. Histórias não lhe faltam, como para o taxista João Pereira da Silva. Há 20 anos trabalhando na Praça Espanha, na entrada na Vila Falcão, ele já namorou embalado pelo som da água e da iluminação colorida.

“Tenho boas lembranças. As noivas vinham aqui tirar foto. Tinha até mais movimento (para a atividade que exerce). Se limpassem e recuperassem, seria bom para a cidade e para os moradores do bairro. Hoje, quem freqüenta aqui à noite são moradores de rua”, afirma.

A situação esteve bem pior na Praça dos Expedicionários, no Jardim Bela Vista. De acordo com o economista Paulo Assumpção Riehl, o local chegou a ser ponto de tráfico de drogas. “Abandonaram a praça, mas a polícia passou a fazer patrulhamento e resolveu. Antigamente, eu vinha passear com a namorada”, relembra Riehl, que se casou com a pretendente.

O relacionamento, foi o único sobrevivente daquela época. “Ele nunca funcionou. Existia também uns pilares, com uma parreiras em cima. Tiraram tudo”, conta o fotógrafo Paulo César Bataiola. Ele e a esposa, Terezinha, relembram quando o filho, atualmente com 17 anos, brincava na praça. A imagem foi registrada pelas câmeras dos pais, que a distribuíram aos amigos quando o menino completou 1 ano.

A fonte reinaugurada na Praça Rui Barbosa em abril de 1992 também foi retratada. Mas por pouco a fotografia não saiu: ela foi feita dois dias depois da solenidade de entrega da obra, na véspera do chafariz ser desativado. Além dela, continuam inoperantes o chafariz da Praça do Líbano, no Centro, do Distrito de Tibiriçá e o espelho d’água da Praça da Paz, situada no Jardim Panorama.

Pioneiro

O primeiro chafariz de Bauru foi instalado na Praça Rui Barbosa em 1942, numa época em que era tendência inaugurar esse tipo de obra nos municípios, informa o historiador Gabriel Ruiz Pelegrina. De acordo com ele, o segundo a ser instalado foi o da Praça Itália, em 1956.

“De todos, o da Praça Rui Barbosa sempre foi o mais bonito. Tinha um jato de água alto. As pessoas faziam footing na praça. Mas em 1960, com o advento da televisão, elas foram esvaziadas”, diz.