Quando as nuvens ficam carregadas, prometendo chuva forte, Jussara Paula Silva e sua família ficam em estado de alerta. As vigas de madeira que sustentam o telhado do barraco, no São Vicente I, estão em situação precária para não dizer no limite. “Mas, como dizem os ‘antigos’ a casa não cai enquanto tem gente morandoâ€, ela arrisca.
Afinal, Jussara não tem para onde ir. A renda da família é de um salário mínimo para sustentar quatro pessoas: ela, o marido e duas crianças. No próximo mês, a prole vai aumentar e então serão cinco bocas para alimentar com os mesmos R$ 260,00.
Disposta a trabalhar e politizada, a mulher, que veio da Capital, conta que comprou, há cinco anos, o barraco que habita com sua família. “Quando cheguei paguei R$ 60,00 em um barraco na rua de baixo. Depois, vim para este, que custou R$ 130,00 porque é de frente para a rua.â€
A falta de água constante nos finais de semana é outro fator que desagrada a dona de casa. “A bomba de água que abastece o bairro vive quebrada e temos que acionar os caminhões-pipas.â€
Na opinião dela, uma casa com dois quartos, sala, cozinha e banheiro satisfaz o seu desejo. “Uma casa de alvenaria que não entre água de chuva e com água e esgoto é o meu sonho.â€