08 de julho de 2026
Saúde

Tabagismo cresce entre os jovens

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

O consumo precoce de cigarros está se tornando uma das principais preocupações das autoridades de saúde em todo omundo. Pesquisas realizadas em vários países apontam que é cada vez maior o número de adolescentes fumantes e - pior - eles experimentam o tabaco cada vez mais cedo. Uma situação que se repete no Brasil, segundo dois estudos recentes (veja mais no quadro abaixo).

O “Inquérito domiciliar sobre comportamentos de risco e morbidade referida de doenças e agravos não-transmissíveis”, realizado pelo Ministério da Saúde entre 2002 e 2003, aponta que, em média, 12,9% dos brasileiros entre 15 e 24 anos são fumantes. Mas os resultados mais alarmantes foram obtidos pelo Sistema de Vigilância de Tabagismo em Escolares (Vigescola). Por meio de questionários anônimos, o governo entrevistou estudantes de 13 a 15 anos em 11 Capitais brasileiras e descobriu que metade deles já havia fumado pelo menos um cigarro na vida. Dentre os dados obtidos, o mais assustador é que o índice de estudantes que experimentaram o cigarro antes dos 11 anos é altíssimo: 39% em Vitória

(ES), 38% em Boa Vista

(RR), 34% em Curitiba (PR) e 31% em Goiânia (GO).

“Esses dados revelam que um terço dos adolescentes estão experimentando cigarro antes dos 12 anos”, comenta a chefe da Divisão de Epidemiologia do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Liz Almeida.

“Os dados são um sinal de alerta, pois quanto mais cedo se começa a fumar, maiores são as chances de desenvolver a dependência ao tabaco”, reforça. E a pesquisa confirma. Dos estudantes que informaram já ter experimentado cigarro, 11,5% a 35,3% disseram- se fumantes regulares.

A coordenadora chama a atenção também para a facilidade que esses adolescentes têm para obter o cigarro. Na média nacional, mais de 75% dos adolescentes que fumam dizem que compram o cigarro sem nenhuma repressão nos pontos de venda.

“É um escândalo.Na idade em que são proibidos de comprar cigarro, três quartos dos meninos estão comprando livremente”, destaca. “A única cidade que tem um percentual menor é Vitória e, mesmo assim, 60% deles conseguem comprar. Percebe-se que há muito a fazer em matéria de execução da lei”, lamenta. E se não bastasse esse desrespeito

à lei nos pontos de venda, muitos desses estudantes declararam que tiveram cigarros oferecidos gratuitamente por distribuidores de empresas de tabaco: 14% em Fortaleza

(CE), 13% em Boa Vista. Outros disseram ter recebido produtos com a logomarca das empresas de tabaco. Dentre as conclusões dos inquéritos epidemiológicos, pesquisadores do Inca atribuem a facilitação do acesso a cigarros aos baixos preços e à venda dos maços em autoserviços ou máquinas automáticas. Para reverter essa situação, eles sugerem aumento dos preços, proibição da venda nessas máquinas, controle mais rigoroso da venda a menores e controle do mercado ilegal.

Outro item destacado pelo Inca é que o Brasil vem observando um importante aumento na mortalidade de mulheres por câncer de pulmão, ao contrário do que ocorre com os homens, que apresentam tendências estáveis desde meados dos anos 90. O fato é associado ao aumento da prevalência do tabagismo no sexo feminino.

Isso também pôde ser observado entre os escolares. Na maior parte das Capitais pesquisadas, a proporção de experimentação de cigarros foi ligeiramente mais elevada entre meninos em comparação com as meninas. Mas em Curitiba

(PR) e Porto Alegre (RS), essa situação se inverteu e as meninas experimentaram tabaco em maior proporção. Segundo o Inca, esta é uma tendência que se observa em vários países do mundo, especialmente nas regiões mais desenvolvidas.