09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Baixo Clero e Câmara Federal


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Na Câmara Federal, a maioria dos seus deputados já recebeu diversas denominações. Chamados despachantes de luxo por uns, picaretas por outros, ultimamente são apelidados representantes do “baixo clero”. Quem são eles? São os incapazes de fazer a defesa de um novo modelo de sociedade, de um projeto para o país, de uma resposta política séria para os problemas nacionais. Preferem esgueirar-se pelos caminhos do quebra-galho, do tráfico de influência, da troca de favores pessoais e do mais descarado fisiologismo, que deformam o Parlamento e seus próprios componentes, como vimos na recente eleição de Severino Cavalcante para a Câmara Federal.

Essa eleição escancarou realidade que muitos tentam esconder: o confronto entre conservadores e progressistas, direita e esquerda, Severinos e Greenhalghs. Basta ver a vida, a trajetória e as propostas deles. Severino tem em seu currículo perseguição ao padre italiano Miracapillo, durante a ditadura militar, e hoje propõe aumento abusivo dos salários dos deputados, defende a nomeação de parentes (nepotismo). Greenhalgh, quadro respeitado do PT, advogado militante, defende os trabalhadores do MST, as vítimas da ditadura e os que sofreram durante o período de arbítrio. Incomoda os poderosos.

Por outro lado, comparar deputados fisiológicos e conservadores com membros do chamado “baixo clero”, constitui injustiça e ofensa inaceitáveis para os religiosos que militam na Igreja. Estes, missionários que optaram por uma vida de sacrifício e renúncia, encontram-se dispersos pelo mundo afora exercendo trabalho em regiões inóspitas e adversas. Pertencem à grande camada do clero que jamais chegará ao colégio de cardeais, e dificilmente terá oportunidade de visitar o Vaticano. A carreira eclesiástica deles esgota-se no serviço e no anonimato, semelhante à Irmã Dorothy Stang, bem diferente dos Severinos, freqüentadores desavergonhados dos Palácios do poder.

Finalmente, é preciso reconhecer, a Câmara Federal é uma instituição dominada pelo conservadorismo que não permite o avanço e as transformações que o país necessita para superar o atraso e os desafios que se arrastam desde os primórdios coloniais até nossos dias. E por isso, a luta continua... (Isaias Daibem)