08 de julho de 2026
Articulistas

Uma República qualquer


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Imaginem vocês um estado. Um país que sempre foi considerado aquele que iria crescer e aparecer. Uma história democrática relativamente recente, devido ao período longo e obscuro de uma ditadura que tolheu boa parte dos direitos políticos de seus cidadãos. Diversos governos, diversas moedas, diversos anos de estagnação econômica e de lutas sociais.

Eis que um homem, pessoa vinda da base da pirâmide social daquele país, consegue, por méritos próprios e pela força de voto da maioria, ser eleito ao mais alto cargo executivo do país. Presidente da república, eleito com número invejável, é considerado o verdadeiro Messias político daquele fatídico estado, sedento de mudança e com o aval da sociedade para a todos governar.

Grande país cheio de riquezas naturais, humanas e culturais; como todos gostam de mencionar naquele lugar, uma nação fadada ao sucesso e ao reconhecimento da sociedade internacional ao seu porte avantajado, continental. Em um ano qualquer, cuja memória popular facilmente se esquecerá num futuro próximo, coisas estranhas passam a acontecer com aqueles fiéis depositários da confiança de toda uma população.

Por votos de manifestação, os representantes diretos da população, por ela escolhidos para a todos representar, decidem escolher como seu presidente um companheiro de fraca expressão, que barganhou sua eleição sem esperança de que venceria os verdadeiros favoritos ao cargo, e cuja base de propaganda era o aumento salarial de todos os seus companheiros que, por sinal, já ganhavam um salário dezenas de vezes superior ao salário mínimo miserável da maioria.

Na casa ao lado, senadores discutem e elegem comissões importantes ao desenvolvimento nacional, e elevam à presidência de uma delas - aquela que discute e decide obras de importância nacional, e cujo título carrega a forte palavra Justiça - um senador que, poucos anos antes, saia sorrateiramente da casa sob fortes acusações de fraude no processo eleitoral interno.

E para completar o quadro dantesco, aqueles mesmos eleitores citados no início desta parábola ouvem de seu presidente uma confirmação aterradora: existe corrupção no país. Mais do que isso, ouvem que ele, o presidente, soube de fontes seguras do alto funcionalismo que o antigo governante, seu rival político e cabeça do partido de oposição ao governo, estava envolvido em atos corruptos num processo longo de desmanche de empresas estatais em prol do capital fechado nacional e internacional.

Mas fontes não são citadas, instituições são omitidas, e o presidente, acreditando tecer um serviço importante ao país, afirma que instruiu seu alto funcionário a manter consigo tais informações de corrupção, conivente com as mesmas. Um deixa pra lá dito com o intuito de mostrar que o futuro importa, o passado não. A demagogia de suas palavras escorria pelo palanque e alagava o chão ao seu redor. O presidente sabe, e omite, uma corrupção.

Vocês, leitores, conseguem imaginar esta república rocambolesca? Os fatos descritos acima parecem saídos de um conto fictício e inverossímil? De um romance advindo de uma mente fértil de um escritor qualquer? Talvez seja. Talvez mais um fruto da imaginação humana. Quaisquer fatos, nomes e situações semelhantes com a vida real são meras coincidências. Talvez... (O autor, Edson Augusto Carvalho Balestri, é bacharel em Relações Internacionais)