A insatisfação nacional induz a uma interrogação: tem-se sobre o Governo confiança cega ou apenas meia confiança? E na resposta tem-se que estamos no meio termo porque enquanto o povo, unânime, pede uma “varredura” nacional, o Legislativo Federal se encolhe totalmente, quase nada fazendo daquilo que se tem como necessário para que a nação realmente se desenvolva onde é preciso. Na verdade, o que constata o país de real em termos positivos? O que consegue divisar a sociedade, nos horizontes que têm à sua frente, a não ser a elevação desmedida dos salários legislativos, federais especialmente, já em alturas fenomenais, e, consequentemente, jogando por terra as necessidades populacionais, ligadas inclusive à fome? É um Congresso de pouca quantidade e nenhuma qualidade, o que se percebe também nos legislativos estaduais e municipais, certo minha gente?
Enquanto isso, a chefia nacional se volta destemerosamente para críticas ferozes ao Governo anterior, debitando a Fernando Henrique Cardoso os erros do passado, sem, contudo, buscar a sua solução, tanto quanto possível e exigível, porquanto o que a coletividade reclama dos atuais poderes públicos é mais trabalho social e menos corrupção administrativa, menos carga tributária e mais tantas obras públicas importantes, entre as quais desponta a reforma agrária, com plena assistência à selva amazônica, cada vez mais abandonada e devastada, além de uma maior proteção à enorme malha rodoviária nacional, totalmente marcada por uma rede de crateras de todas as dimensões, figurando também nas omissões governamentais os viadutos e pontes demolidas pelos temporais e despencados sobre os mananciais dos rios e córregos de várias regiões.
E vão longe as críticas governamentais ao ex-presidente FHC, o qual, não as aceitando devidamente se dispõe a enfrentá-las com ações na Justiça, com repercusões danosas para a nação, que não sabe, então, se confia ou desconfia. É a nossa opinião. (O autor, Nadyr Serra, jornalista responsável do JC é delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado). “Ter defeitos não é o maior defeito e, sim, não tentar corrigir o que pode ser corrigido, o que pode ser emendado”.