09 de julho de 2026
Política

Partido de Tuma questiona indicação

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 4 min

A indicação do senador Romeu Tuma (PFL) para denominar Comandante João Ribeiro de Barros o novo aeroporto de Bauru provocou turbulências na cidade, ontem. Nem mesmo o presidente da executiva municipal do PFL, Dudu Ranieri, poupou Tuma. Ele criticou a decisão unilateral do senador de apresentar a proposta sem consultar as lideranças do município, nacionalmente conhecido pelo aeroclube especializado em vôo a vela.

Anteontem, o gabinete do senador João Ribeiro (PFL/TO) informou que o projeto foi aprovado pela Comissão de Educação do Senado. Tuma confirmou a notícia e até fez previsão de que a proposta deverá ser votada em regime de urgência pelo plenário na semana que vem. João Ribeiro de Barros é nascido em Jaú.

O descontentamento com o comportamento do senador é grande. Dudu informa que não foi consultado por Tuma sobre o assunto. “Quem sou eu para receber um telefonema do senador, mas acho que nós, que vivemos aqui em Bauru, temos mais propriedade para apontar os nomes que podem ser indicados para o novo aeroporto”, opina.

O pefelista afirma que não quer tirar o mérito do comandante João Ribeiro de Barros, herói nacional que ficou conhecimento mundialmente após atravessar o Atlântico Sul a bordo de seu avião, o Jahu, em 1927. “Foi um feito e tanto. Mas entendo que nossos nomes devem ser lembrados sempre. Tivemos, no passado, aviadores que entraram para a nossa história”, observa.

O pefelista destaca alguns aviadores formados no Aeroclube de Bauru que podem ser homenageados na placa que dará nome ao novo aeroporto da cidade. “Quem não se lembra do suíço Heindrich Kurt, de Luiz Gonzaga Bevilacqua, de Benedicto Cesar, o Zico. São pessoas que entraram para a história da aviação local”, lembra.

Dudu diz que não pretende intervir diretamente na polêmica e muito menos contatar o senador Romeu Tuma para tentar demovê-lo de sua intenção. “A minha opinião é na condição de cidadão bauruense que sou, nascido e criado aqui. Mas se o senador me telefonar, vou dizer a ele o que penso sobre o assunto”, garante.

Na avaliação do presidente do PFL, é o momento de Tuma se somar à comunidade política e empresarial de Bauru e região para viabilizar os recursos necessários que serão destinados ao término da obra. Ele destaca a importância do senador no cenário político nacional e paulista. “É a hora dele (Tuma) arregaçar as mangas. Depois, vamos discutir nomes para o aeroporto”, opina.

Moção de Apelo

Ontem, o vereador Paulo Madureira (PP) anunciou que vai protocolar na sessão legislativa de segunda-feira da Câmara Municipal uma Moção de Apelo que será encaminhada ao senador Romeu Tuma. Ele vai pedir que o pefelista reveja sua decisão de denominar Comandante João Ribeiro de Barros o futuro aeroporto da cidade.

“Esse grande aviador da vizinha cidade de Jaú já está imortalizado na rodovia que vai de Bauru até a barranca do rio Paraná, em Panorama, na divisa de São Paulo com Mato Grosso do Sul. Acho que faltou o senador consultar os meios políticos de Bauru antes de decidir protocolar o projeto”, critica.

Historiador Luciano D. Pires defende o nome de Américo Marinho Lutz

O historiador Luciano Dias Pires, editor do suplemento Bauru Ilustrado, soma-se à corrente que defende que o nome do novo aeroporto da cidade seja dedicado a um bauruense ligado à história da aviação local. “Sugiro que o aeroporto seja denominado Américo Marinho Lutz, fundador do Aeroclube de Bauru”, opina.

Pires enumera uma série de justificativas para que Lutz, diretor da antiga Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB), seja o homenageado. “Foi um lutador pelas causas de nossa cidade. Inclusive, ele pode ser considerado o pai da aviação em Bauru. Foi o primeiro presidente do Aeroclube de Bauru, além de ter fundado os de Pirajuí, Promissão e Birigui”, conta.

O historiador destaca que o aeroclube deve muito a Marinho Lutz. “Ele, através da Noroeste do Brasil, foi o responsável pela construção dos hangares e do prédio”, argumenta.

Foi também através da iniciativa de Lutz que a Noroeste do Brasil adquiriu um avião para transportar seus diretores e técnicos ao longo dos 1,6 mil quilômetros de ferrovia, que até hoje ligam São Paulo ao Mato Grosso do Sul.

“É da época da gestão dele na Noroeste a construção do complexo do Esporte Clube Noroeste. Marinho Lutz batalhou por Bauru em todos os setores de atividades. Infelizmente, ele só tem um simples busto no aeroporto”, diz.

Além de Lutz, Pires sugere outros nomes de peso para o novo aeroporto, como o de Luiz Gonzaga Bevilacqua e Arnaldo Vissoto. “O Vissoto atuou como piloto da Força Aérea Brasileira, a FAB, na Segunda Guerra Mundial. Foi um herói bauruense nos céus da Europa. Piloto formado no aeroclube com o apoio do Marinho Lutz. Tenho a fotografia dele sendo condecorado por um general norte-americano”.