08 de julho de 2026
Cultura

Bauru perde vozes importantes

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Bauru e região perderam esta semana dois importantes profissionais da voz. O locutor da Rádio Unesp José Valineti, 56 anos, morreu anteontem de infecção generalizada e o cantor e compositor João Aiz, 46 anos, morreu às 9h20 de ontem no Hospital Estadual Arnaldo Prado Curvêllo, vítima de uma parada cardíaca.

Aiz se sentiu mal na noite de segunda-feira e foi hospitalizado. O diagnóstico inicial foi de isquemia cerebral - insuficiência localizada de irrigação sangüínea que comprometeu o lado esquerdo do cérebro. Na manhã de ontem, ele sofreu uma parada cardíaca.

Amigos próximos do músico afirmam que o problema foi repentino e que ele não tinha queixas anteriores de problemas semelhantes. O corpo está sendo velado no Velório São Benedito, em Botucatu, sua cidade natal, e será enterrado às 10h de hoje, no Cemitério Jardim.

Músico regionalista, Aiz se apresentava geralmente no estilo voz e violão. Tocava também em parceria com o percussionista Emerson Pollice, seu amigo pessoal. “As duas últimas vezes que tocamos juntos foi em Piraju e no Sesc Bauru. Foi muito legal. Foram sons muito bons. As últimas lembranças são boas, com certeza”, diz Pollice.

Formado no Conservatório de Música de Tatuí, Aiz participou de inúmeros festivais na região e no País e colecionou prêmios por onde passou, como o álbum desenvolvido como resultado do Mapa Cultural Paulista. Em seus 22 anos de carreira, tocou ao lado de grandes nomes da música brasileira como Alceu Valença, Zé Ramalho, Dominguinhos e Caçulinha.

Outra virtude apontada por amigos próximos é a arte da composição. Em suas apresentações, além de músicas de autoria própria, ele tocava sucessos de José Geraldo, Geraldo Azevedo, Milton Nascimento e Gilberto Gil, entre outros.

Aiz morava em Bauru há nove anos. Foi na cidade que ele se casou e teve um casal de filhos, que hoje têm 4 e 6 anos. Além da esposa e dos filhos, ele deixa também um enteado de 17 anos.

O músico tocava em diversos bares e casas noturnas da noite bauruense. Sua última apresentação foi realizada na sexta-feira passada, no Studio 35, em Bauru.

“Espero que ele possa se encontrar com grandes ídolos, como Raul Seixas e Elis Regina”, diz a produtora musical Paula Polido, amiga de Aiz.

Ímpar

O locutor José Valineti, que completou 56 anos no último dia 21 de fevereiro, morreu às 16h de anteontem no Hospital de Base de Bauru, onde estava internado há 15 dias. O enterro foi realizado ontem, às 10h, no Cemitério de Pederneiras, sua cidade natal.

Valineti sofria da Síndrome de Fournier, doença rara que ataca o sistema imunológico. Durante a internação, ele passou por uma cirurgia. A doença, entretanto, evoluiu e provocou uma infecção generalizada, resultando na morte.

Com 38 anos de carreira, Valineti iniciou sua trajetória profissional na Rádio Cultura de Pederneiras. O extenso currículo do locutor inclui a TV Anhanguera, de Goiânia; a Bauru Rádio Clube; a TV Alvorada e a Radiobrás, em Brasília, através da qual chegou a apresentar o programa “A Voz do Brasil”. Ele trabalhava na Rádio Unesp desde 1990 e apresentava diversos programas - entre eles, o “Grandes Mestres”.

“Ele vai fazer muita falta para a rádio. Era muito profissional, tinha uma voz inconfundível e única - com grave, médio e agudo”, afirma Jurandir Gomes Matos, o Carrado, que trabalhou como operador de rádio ao lado de Valineti durante nove anos.

O colega conta que ele interpretava poemas “como ninguém”. “Ele sempre procurava a pronúncia mais correta das palavras. Era um poço de conhecimento. Lia muito e era muito bem informado”, revela Carrado.