10 de julho de 2026
Polícia

Polícia esclarece latrocínio de dono de locadora de vídeos

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Uma denúncia anônima feita à Polícia Militar (PM) ontem pela manhã levou policiais do Tático a um adolescente que confessou ter atirado no comerciante Mário Roberto Yozen Okama, 39 anos, durante um assalto à locadora de vídeos de propriedade da vítima, na Vila Independência, no dia 10 do mês passado. Okama chegou a ser socorrido, mas não resistiu ao ferimento no peito e morreu logo após dar entrada no Pronto-Socorro Central.

Franzino para os seus 17 anos, o adolescente contou que atirou porque Okama reagiu ao roubo. “O cara (a vítima) veio para cima da gente e atirei. Depois saímos correndo”, disse ele à polícia e à reportagem relatando que tentou roubar a locadora na companhia de um amigo de 16 anos usando uma espingarda cartucheira calibre 32 obtida com o auxiliar de produção Fabrício Pereira Fernandes, 19 anos, seu conhecido.

Com base na denúncia anônima, os policiais, numa ação comandada pelo tenente Hudson Covolan, também chegaram ao adolescente de 16 anos e ao estudante Júlio César de Barros Polido, 18 anos, acusado de ter ajudado no roubo. Polido teria ficado, a uma certa distância da locadora, dando segurança aos dois menores que abordaram o comerciante. Os quatro moram no Parque Nova Paulista e eram conhecidos.

Fernandes, também localizado pelos policiais do Tático, disse que havia vendido a arma aos dois menores, mas não sabia que a intenção deles era assaltar a locadora. “Eles apareceram querendo comprar a arma e vendi por R$ 100,00. Iam pagar depois, mas não conseguiram dinheiro e devolveram a arma”, disse.

O delegado Dinair José da Silva, que estava de plantão ontem à noite, pediu a apreensão dos dois adolescentes e a prisão de Fernandes e Polido. Com base nos depoimentos dos acusados e nas apurações dos policiais, o delegado encontrou fortes indícios de que os quatro participaram do latrocínio (roubo seguido de morte).

“Posteriormente, será averiguada a real participação de cada um deles no latrocínio, apesar de um dos adolescente ter admitido que foi ele quem atirou. Queremos saber se o adolescente não está assumindo a culpa no lugar de um maior de idade”, comenta Silva.

O delegado ficou surpreso com o depoimento do adolescente que confessou ter efetuado o disparo. “Ele mostrou frieza. Disse que eles escolheram a locadora porque ficava em um lugar ermo e próximo a um córrego, o que facilitava a fuga. Ele disse que estava de olho em um play station da vítima que valeria R$ 500,00”, frisa Silva.

Desde o dia do crime, policiais do Tático estavam patrulhando a região com vistas a esclarecer a morte de Okama. “Recebemos denúncia anônima de que Fernandes havia emprestado a dois menores a arma que matou o comerciante. Como tínhamos os nomes e sabíamos os endereços deles porque os três são conhecidos da polícia, pedimos autorização judicial para fazer busca nas casas deles”, diz Covolan.

Na casa de Fernandes, nada de irregular foi encontrado. O rapaz foi localizado pelos policiais em seu trabalho. “Dissemos que já sabíamos a arma usada no crime era dele e ele confirmou. A princípio, ele disse que tinha emprestado a cartucheira aos dois menores. Depois, disse que tinha vendido a arma a eles e que a recebeu de volta porque os menores não tinham dinheiro para pagar o combinado”, relata o tenente.

Fernandes acabou revelando que a espingarda estava escondida na casa de um parente, também no Parque Nova Paulista. Os policiais apreenderam a arma, que passará por perícia. “Será feito confronto balístico, para saber se o projétil que matou a vítima saiu da arma apreendida”, diz o delegado. Os policiais do Tático apreenderam ainda uma espingarda de pressão e uma faca na casa dos acusados.

O adolescente que confessou ter disparado contra o comerciante disse ao JC que ganha R$ 400,00 por mês como servente de pedreiro e está cursando o segundo ano do ensino médio. Questionado pela reportagem sobre porquê assaltou a locadora, ele não soube responder.

Família japonesa

O comerciante Mário Roberto Yozen Okama, 39 anos, foi morto quando fechada as portas de sua locadora de vídeos, por volta das 21h30 do dia 10 de fevereiro. Descendente de japoneses, ele morava há mais de 30 anos na Vila Independência juntamente com o pai e mais quatro irmãos. Há cerca de oito anos havia migrado temporariamente para o Japão em busca de trabalho e quando voltou, abriu uma locadora de games.

Solteiro e sem filhos, Okama era descrito pelos parentes como uma pessoa tranqüila e reservada. “Assim como sua família, ele era calmo. Não era de conversar muito e não tinha o hábito de beber ou fumar. Trabalhava na locadora de domingo a domingo”, informou ao JC Seiko Tokuhara, primo da vítima, no dia após o crime.