08 de julho de 2026
Geral

Fundação da Unesp demitirá funcionários sem concurso público

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

A Fundação da Universidade Estadual Paulista (Fundunesp) sofreu a primeira ofensiva por parte do reitor Marcos Macari. Os 44 funcionários contratados pela entidade para trabalhar no campus de Bauru já foram comunicados verbalmente da demissão. O procedimento oficial é iminente. Na próxima semana, todos eles devem ser convocados para rescindir o contrato temporário assinado na época da admissão.

A previsão é do presidente do Grupo Administrativo do Campus (GAC) e diretor da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac) da Unesp, Antonio Carlos de Jesus. De acordo com ele, a orientação para dispensar os trabalhadores da Fundunesp, contratados sem concurso, partiu da reitoria, via e-mail.

Encaminhado há aproximadamente três semanas, o documento teria ordenado a dispensa, em um mês, de 70% dos funcionários que trabalham nas unidades acadêmicas. O restante seria desligado num prazo de 90 dias.

São classificadas como unidades acadêmicas, além da Faac, a Faculdade de Ciências e a Faculdade de Engenharia. Já a rádio Unesp e o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), por exemplo, compõem as unidades complementares, onde a demissão em 30 dias atingiria 85% do total de funcionários contratados via Fundunesp. O restante também seria mantido por três meses.

Concurso

“Eles vão fazer falta. Mas a Reitoria já está tomando medidas (para driblar a escassez de profissionais). Foi solicitado a cada diretor fazer remanejamento de recursos humanos e agrupar unidades. Esse estudo (de remanejamento) já está sendo feito”, diz Jesus. Ele explica que a outra opção de Macari para reverter o problema da carência de funcionários recai na abertura de concursos públicos.

“A Reitoria encaminhou documento solicitando levantamento preliminar da quantidade de recursos humanos necessários para a unidade, tendo como base estudo elaborado há uns dois anos. Agora vamos avaliar. Depois, as unidades terão de apresentar uma proposta de concurso (à Reitoria). Imediatamente, a Reitoria vai iniciar o processo de feitura (do concurso)”, acrescenta do presidente do GAC.

Para Jesus, o que está “na mesa” é o processo de saneamento, pois no entendimento da atual administração, a Fundunesp não deve fazer contrato de recursos humanos. Em entrevista exclusiva concedida ao JC há um mês, Macari classificou a medida como necessária para resgatar a credibilidade da fundação.

A existência dessas entidades enraizadas na estrutura financiada pelo dinheiro público integra há anos a pauta de debates de representantes sindicais. “A fundação suga a universidade. Ela serve para buscar recursos, mas na verdade é a Unesp que a mantém. Além disso, o sindicato é favorável ao concurso. Essas contratações (terceirizadas) são precárias”, conclui o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Unesp (Sintunesp), Alberto de Souza.

Processo gera clima de 'terrorismo'

A lacuna estabelecida entre a comunicação das demissões dos funcionários da Fundação da Universidade Estadual Paulista (Fundunesp) e sua real efetivação (ainda por vir) bastou para espalhar entre eles um clima de terror. O ambiente inflama tanto os crédulos na continuidade do grupo quanto aqueles que apostam no desligamento dos 44 trabalhadores.

“Nós estamos trabalhando sem saber se vamos continuar. Há quem diga que o reitor Marcos Macari está sofrendo pressões e pode recuar. Virou uma baderna. Cada um diz uma coisa. As demissões caíram como uma bomba. O clima é de terrorismo”, afirma um funcionário. Ele preferiu ter o nome preservado para evitar constrangimentos, caso seja mantido no quadro da Fundunesp.

A mesma razão justificou solicitação idêntica feita por uma colega dele. Há quatro anos no campus, ela não imaginava que o novo reitor empossado em janeiro anunciasse os cortes de maneira tão rápida. “Sabia que mais cedo ou mais tarde isso ira ocorrer, mas não já. Durante a campanha, ele não falou sobre isso. Essa situação (de indefinição) é pior do que se tivessem mandado a gente embora de vez. Eu não posso nem procurar emprego novo”, critica.

Quando o contrato temporário dela e dos outros 43 funcionários estiverem oficialmente rompidos, o campus de Bauru perderá quase 10% do total de profissionais. Atualmente, 466 servidores mantêm a rotina da universidade, com o apoio do grupo da Fundunesp.

A diferença salarial entre concursados e terceirizados não é grande. Em média, os servidores recebem aproximadamente R$ 1.100,00, além de vale-refeição no valor de R$ 110,00. O provento dos contratados pela fundação varia na casa dos R$ 800,00, mais vale-refeição de R$ 270,00.