08 de julho de 2026
Geral

Sanduíche Bauru pode se tornar símbolo nacional

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O tradicional sanduíche Bauru pode se tornar patrimônio nacional. Está em andamento no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), órgão ligado ao Ministério da Cultura (MinC), um pedido feito pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico para registrar a famosa receita.

O processo, iniciado em setembro do ano passado, está em fase de fundamentação, o que corresponde a uma pesquisa e estudo técnico sobre o sanduíche, explica o secretário de Desenvolvimento Econômico, Walace Garroux Sampaio. As informações estão sendo levantadas pela Secretaria Municipal de Cultura e, dentro de alguns meses, serão enviadas ao Iphan.

“É um registro histórico, vai ficar patrimoniada a receita do sanduíche Bauru. É uma garantia de que ela não se perderá”, diz Sampaio. O pedido de registro está sendo avaliado pela gerência de registros do Iphan, confirma a funcionária do setor, Fabíola Nogueira da Gama Cardoso. O processo leva em média de um a dois anos para ser concluído.

Fabíola explica que qualquer bem material ou imaterial de relevância histórica pode ser candidato ao registro de preservação nacional, segundo o decreto 3551, de 2000. “A solicitação pode ser feita por associações civis ou não-governamentais. O pedido deve conter informações gerais, uma descrição do bem, onde ele se situa, quais são os elementos envolvidos, informações históricas, culturais e sociais, e se possível, imagens”, detalha.

Depois de uma avaliação prévia, a solicitação passa para a fase de fundamentação - na qual se encontra o pedido de registro do sanduíche Bauru. Concluída e aprovada essa etapa, o bem poderá se transformar em patrimônio imaterial do País.

Para incentivar o processo de aprovação do sanduíche, a Delegacia Regional de Turismo enviou, no início do ano, um e-mail ao ministro da Cultura, Gilberto Gil, divulgando a receita original do prato - pão francês, lagarto, pepino em conserva, tomate e queijos prato, suíço, estepe e provolone derretidos.

“Mandamos todas as informações necessárias sobre o sanduíche, receita e foto, já que processo (de aprovação do registro) está em andamento”, diz Renato Senis Cardoso, presidente da Delegacia de Turismo. “O lanche é uma das comidas típicas do Brasil e deve entrar como patrimônio histórico e cultural do País”, defende.

Número 1

Marco Antônio Sanches Francisco, sócio-proprietário da lanchonete Skinão, a primeira a comercializar o sanduíche Bauru na cidade, comemora a iniciativa de transformar o prato em patrimônio nacional.

“O sanduíche Bauru é conhecido no Brasil inteiro e em países da América Latina. Nada como uma medida oficial para sugerir que se faça o lanche do jeito que é para ser feito. Para a cidade é ótimo”, diz Francisco. O prato é campeão de vendas no Skinão. Em média, o estabelecimento vende 300 sanduíches por dia.

Histórico

O criador do sanduíche Bauru foi Casimiro Pinto Neto, estudante de direito em São Paulo. Freqüentador assíduo do Ponto Chic - ponto de encontro paulistano dos jovens entre as décadas de 30 e 50 -, foi lá que pela primeira vez, em 1933, ele pediu para preparar um lanche com ingredientes combinados por ele próprio.

A formulação continha elementos como proteína, gordura, sais minerais e vitaminas, sem elevar o valor calórico da alimentação. A receita, que agradou amigos e fregueses, passou a figurar no cardápio do bar. Como Casimiro era conhecido por Bauru, o apelido foi transferido para o lanche.

Na cidade, a história do sanduíche Bauru se confunde com a biografia de Zé do Skinão. Principal divulgador da receita, José Francisco Júnior nasceu em Natal, Rio Grande do Norte. Ainda criança veio para Bauru, onde trabalhou nos carros, restaurantes da antiga estrada de ferro Noroeste do Brasil e na Confeitaria Lalai.

Em 1957, ele conheceu Casimiro Pinto Neto. Anos mais tarde, em 1971, José Francisco abriu em Bauru o bar Lanches Skinão, no Centro da cidade, que se tornou o principal ponto de divulgação do sanduíche. Uma curiosidade é que, na época da inauguração, Zé do Skinão distribuía o lanche de graça para a população, para que as pessoas pudessem experimentá-lo. Ele morreu em 2002.

Há mais de um ano, o bar funciona em um ponto comercial na zona sul, próximo à Praça Portugal.