09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

QUEM MATOU JESUS CRISTO?


| Tempo de leitura: 3 min

Na Páscoa do ano passado tive a oportunidade aqui na Tribuna do Leitor de discordar da pecha de traidor secularmente atribuída a Judas Iscariotes. Expliquei que no máximo Judas teria sido precipitado, mesmo porque ele, como profundo conhecedor do poder de aglutinação e das curas de Jesus Cristo, entendia que tais virtudes ou poderes poderiam ser usados num macíssimo levante contra o poder imperial de Roma. Como não era essa a missão de Jesus, Judas Iscariotes se desesperou ao ver seu mestre ser açoitado não oferecendo resistência alguma e acabou se enforcando. E jamais precisaria de 30 moedas até porque era o herdeiro da segunda família mais rica da Judéia. As moedas para ele poderiam até significar um símbolo, mas jamais uma recompensa ou necessidade.

Roma não se importava com as pregações e a popularidade de Jesus Cristo. Os agentes espiões do senado romano em vastos relatórios chegaram à conclusão que o nazareno era um pacifista e seus fins eram absolutamente religiosos e sem nenhuma conotação política ou ideológica na época. Tanto é que ao ser indagado por um dos seus seguidores se se deveria ou não pagar impostos à Roma, Jesus respondeu que era necessário “dar a César o que de César, e a Deus, o que era de Deus”.

Ou seja, há 2.000 anos ele já entendia que o Estado não tinha que se intrometer na igreja ou vice-versa. Mas o que notamos atualmente são correntes religiosas querendo impor as suas filosofias de ação para todos e, maleficamente, atrapalhando os avanços da ciência. Estão aí as discussões sobre o aborto, bebês anencéfalos e células-tronco para ilustrar a contradição da pregação de Jesus e a prática contrária de alguns credos religiosos.

Mas, voltando ao passado, é necessário dizer que o principal inimigo de Roma era o Barrabás. Injustamente é tido até nos dias de hoje como bandido, mas na verdade era militante político radical que pregava a aniquilação e a expulsão dos representantes de Roma na Judéia, através de guerrilhas e levantes populares. E era financiado pelo outro grupo político dos chamados zelotes, que tinham a mesma idéia, porém, não colocavam a mão na massa. Barrabás foi várias vezes preso e não por crime comum e sim por agitações políticas tidas como badernas preocupantes para os mensageiros espiões de Roma. Como disse acima, os inimigos de Jesus Cristo não eram os romanos e sim a elite judaica representada pelos Anás e Caifás. Eles detestavam a popularidade de Jesus e muitos de seus membros pegavam propinas dos coletores de imposto e eram servis ao extremo ao poder político romano. Ao contrário de Barrabás, que era nacionalista.

O julgamento de Jesus foi uma farsa e um dos maiores crimes da história, cometido pelas autoridades da Judéia. Como eles não tinham autonomia para mandar matar, o pretor romano foi informado do caso e ao analisarem as acusações que pesavam contra Jesus Cristo, as autoridades romanas não viram nele crime nenhum.

No entanto, a agitação na Judéia incentivada pela elite política era imensa. Roma, embora sabendo da inocência de Jesus Cristo, não queria se indispor com uma província que era leal e dava lucros. Os anciãos do povo, os escribas e todo o conselho da Judéia manipulavam os acontecimentos e o sumo sacerdote, o Caifás, detestava Jesus Cristo que fazia sucesso entre o povo.

Roma tentou uma nova chance para Jesus Cristo, que era por ocasião da Páscoa o líder máximo soltar e perdoar um acusado. Foram para o plebiscito Jesus Cristo e Barrabás. O povo, revoltado com os elevados impostos de Roma, ludibriado pelas autoridades da Judéia e instigados pelos guerrilheiros de Barrabás, que achavam Jesus Cristo muito pacifista, fez sua escolha: libertou Barrabás.

A lavagem de mãos feita por Pôncio Pilatos materializou a perplexidade e o espanto de Roma. E nos dias de hoje aqueles que se omitem no tocante à injustiça social também conspiram contra Jesus e ao invés de pregos ou coroa de espinhos usam a mentira, o preconceito e a hipocrisia.

PS - Bagulho cultural e culto à imbecilidade é o mínimo que se pode dizer das programações de grande parte da TV brasileira. (Pedro Valentim)