A ginasta Bruna Perandré da Costa, formada e revelada em Bauru, atingiu o grande objetivo de dez entre dez ginastas do País: tornou-se integrante da Seleção Brasileira Permanente, equipe que representa o Brasil nas principais competições internacionais.
Bruna já está treinando desde o início deste mês em Curitiba ao lado de atletas consagradas como Daiane dos Santos, Daniele Hypólito, Camila Comin, Laís Souza e Ana Paula Rodrigues.
Devido ao ritmo intenso dos treinamentos, Bruna não tem tido tempo de visitar os pais Pedro e Cris e os irmão Igor e Brian, que moram em Bauru. Assim, o Jornal da Cidade entrevistou Bruna via Internet. Confira.
JC - O que representa para você ter entrado na seleção permanente?
Bruna Costa - Pertencer à Seleção Brasileira representa uma oportunidade única de melhorar meus treinos, meu rendimento, meu básico. Quero melhorar minha participação em competições nacionais e internacionais, pois o meu objetivo é participar do Pan Americano 2007 e das Olimpíadas em Pequim 2008, representando o Brasil da melhor maneira possível.
JC - Quando você começou na ginástica imaginava chegar tão longe?
Bruna - No começo até que não, pois nem sabia que existia esses tipos de competições nacionais e muito menos internacionais. Entrar para a seleção só com o tempo, quando fui melhorando meus resultados. A medida que meus técnicos foram me falando como era realmente a ginástica olímpica meu sonho foi crescendo, meu treino melhorando e cada dia mais fui chegando perto da onde toda ginasta quer chegar, isto é, entrar para a seleção. Agora eu consegui, graças a Deus primeiramente, à minha família, meus técnicos e todos que torceram para eu chegar onde estou.
JC- Como estão os treinos em Curitiba?
Bruna - Muito bom, mas preciso ainda melhorar muito em muitas coisas. Mas acho que com o tempo vou conseguir, estou sentindo isso nesse momento, pois o trabalho desenvolvido aqui é coisa séria, sem brincadeiras, pegam no nosso pé mesmo em todo lugar e é isso que é preciso. Então, eu só tenho que me acostumar, porque as primeiras semanas foram cansativas tanto para mim como para as demais novatas, não vai ser diferente nesse aspecto. Mas sei que se muitas conseguiram, não vai ser eu que não, pois foi com isso que sempre sonhei.
JC -O que foi determinante para que você entrasse na seleção?
Bruna - Os meus resultados nas competições que conquistei, principalmente em 2004, e as seletivas, onde tive que mostrar meu preparo, minha base, o quanto ainda posso melhorar em todos os sentidos e fiz o meu melhor, não engordei e vim morar em Curitiba.
JC - Ser atleta de ponta significa abdicar de algumas coisas, já que a carga de treinamento é grande. Como você divide seu tempo, em relação a estudos e diversão?
Bruna - Em primeiro lugar acho que posso adiar um pouco a diversão para depois, isso nunca acaba. Então, quando minha carreira de ginasta acabar, eu me dedicarei a estas coisas que não posso fazer agora. Mas mesmo eu sendo uma ginasta de ponta eu estudo um pouco quando dá e é do meu interesse. As diversões, podem ter certeza que temos um pouco, pelo menos nos sábados à tarde e temos os domingos inteiros para nos divertirmos e descansar. Aqui em Curitiba é legal, com bastante amigas, a gente dá bastante risada e brincamos muito umas com as outras.
JC - Você tem conversado com a Daiane (dos Santos), a Dani (Daniele Hypolito), a Camila (Comin)? Como elas receberam as “novatas”?
Bruna - Já tive a oportunidade de conversar com todas elas e são bem legais com as novatas. Comigo, quando estou errando, não sei fazer alguma coisa, como aconteceu na primeira semana, quando estava aprendendo cubital (um tipo de empunhadura nas paralelas), a Dani que já tem bastante experiência nesse elemento ficou um bom tempo me explicando como tinha que fazer, como posso treinar, melhorar e não ter medo desse elemento. Para mim foi muito dez essa experiência que ela me passou, então estou adorando estar perto dos meus ídolos!
JC - Já dá para sonhar com medalha olímpica?
Bruna - Nesse momento ainda não. Só penso em treinar e treinar muito. Com certeza, se tudo der certo, a medalha acaba aparecendo. Para isso, é necessário mais dedicação, mais bronca, mais tudo que precisamos para que possamos chegar onde queremos e do jeito que queremos.
JC - Você sabia que a escolinha que você começou (na Vila Industrial, em Bauru) está fechada? O que acha disso?
Bruna - Acho um absurdo e triste ao mesmo tempo pois se não fosse essa escolinha eu não iria chegar onde estou agora. Com isso podem estar desperdiçando muitas meninas e meninos que um dia poderiam ter futuro e brilhar para o Brasil (e com o nome de Bauru). Eu tenho certeza que se esse ginásio estivesse aberto, com tudo que tem direito, até hoje estaria saindo mais ginastas de Bauru para uma seleção tornando-se assim ginastas de ponta, com certeza.
JC - Na sua opinião, como está a ginástica brasileira? Dá para falar que o Brasil é uma potência nesse esporte?
Bruna - A ginástica no Brasil está cada vez melhor. Com certeza, pelos resultados de ginastas de ponta como a Dani, a Dai, a Camila e a Laís (de Souza), mas na minha opinião ainda precisa melhorar muito em muitas coisas, como dar mais valor em todos os sentidos: ginásios bons, mais ajuda, entre outras formas de incentivo. Assim, aparecerão mais ginastas e cada vez mais bons resultados para a ginástica no Brasil.
Carreira sólida
Bruna Costa conquistou sua primeira medalha de ouro em 1997, aos oito anos, no Torneio Campeão III, no Rio de Janeiro. Depois disso foram mais de 150 pódios em cerca de 60 competições. Entre 1998 e 2001 destacou-se em competições regionais e estaduais e chamou a atenção dos técnico da AA Guaru, de Guarulhos. Contratada pela equipe da Grande São Paulo, a ginasta passou a se destacar também em competições nacionais.
Mas foi a partir de 2003 que Bruna passou a conquistar títulos que lhe credenciaram a disputar uma vaga na seleção. Naquele ano, Bruna obteve dois ouros e um bronze individuais na etapa do Estadual Adulto, em Guarulhos. Além disso conquistou um ouro três pratas e um bronze nos Jogos Abertos, em Santos.
No ano passado, entre outros títulos, obteve quatro ouros e uma prata nos Jogos Abertos de Barretos; quatro ouros e um bronze nos Jogos da Juventude, em Brasília; dois ouros, duas pratas e um bronze no Brasileiro Juvenil, em Pomerode-SC e quatro ouros no Campeonato de Especialistas, em Guraulhos. Além disso, chegou em quarto no solo e nas paralelas, no Pan-Americano, em Maracaibo, Venezuela.