08 de julho de 2026
Geral

Golfe vive momento de popularização

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 4 min

Jogar golfe sempre foi considerado coisa de elite. Até poucos anos atrás, era difícil encontrar alguém que conhecesse as regras do jogo. Nos últimos anos, porém, o esporte vem ganhando mais espaço no Brasil e sua disseminação ocorre, especialmente, na classe média. Hoje, são cerca de 25 mil golfistas no País e o número de praticantes tem crescido entre 12% e 15% ao ano, segundo as estimativas.

No Bauru Golf Club, o número de sócios subiu de 50, em 2002, para 80 neste início deste ano - um crescimento de 60%. Dentre os adeptos há pessoas da elite, da classe média alta e, inclusive, da classe média baixa, segundo o presidente do clube, Milton Tohoru Yoshiura.

Na opinião dele, a popularização deve-se à maior divulgação do esporte pela mídia. “Além disso, praticar golfe no Interior é bem mais econômico que na Capital”, observa.

São Paulo é considerada, de longe, a cidade mais estruturada do País para a prática do golfe. São três campos oficiais de 18 buracos, seis drives (espaços para treinar tacadas longas) e várias lojas especializadas em equipamentos para a modalidade. Mas tudo isso custa caro.

Uma única aula na Capital custa, em média, R$ 50,00. A licença para jogar em campos privados pode chegar a R$ 400,00 por dia para não sócios. E quem quer se associar pode ter que desembolsar até US$ 500 mil por um título. A moda do esporte na capital paulista tem se mostrado tão lucrativa que já há empresas projetando a construção de condomínios inteiros ao redor de campos de golfe.

“No Interior, as condições são bem mais favoráveis. A aula custa R$ 20,00. A licença para usar o campo (não sócios) custa entre R$ 30,00 e R$ 80,00. O título do clube vale R$ 700 e a mensalidade é de R$ 110”, informa Yoshiura.

Um campo de golfe oficial ocupa cerca de 1 milhão de metros quadrados, com 9 ou 18 buracos. O percurso total (18 buracos por partida) dura cerca de quatro horas. O campo do Bauru Golf Club tem 250 mil metros quadrados, com 9 buracos e 18 pontos de saída.

Para quem quer experimentar o esporte, o clube oferece três meses de “carência”. Nesse período, a pessoa pode usar gratuitamente o campo e os tacos, pagando somente o valor das aulas e o aluguel das bolas (R$ 2,00 para cada balde com 30 unidades).

O instrutor do clube, Sergio Brasil, explica que, depois desse período, se a pessoa quiser continuar praticando a modalidade, é orientada a associar-se ao clube e a adquirir equipamento próprio. “O equipamento necessário é o conjunto de 14 tacos, que custa cerca de R$ 1.000”, comenta. Dependendo da marca, uma única bolsa pode chegar a R$ 26 mil.

Praticante do golfe há oito anos, o consultor de gestão Paulo Marcos Tâmbara confirma o crescimento do esporte em Bauru e atribui a popularização à globalização. “Hoje temos um intercâmbio muito mais fácil entre as culturas”, alega.

Ele conta que começou a jogar golfe por uma limitação física. “Sempre fui esportista, mas sofri um rompimento do tendão de Aquiles numa partida de basquete e fiquei proibido de praticar qualquer modalidade de impacto. Então, ganhei um jogo completo de tacos de uma família japonesa, fui apresentado ao esporte e não parei mais”, afirma.

Ele salienta que o crescimento do número de adeptos reflete em mais investimentos para o País, o que é muito bom. “Hoje, campos brasileiros já estão entre os melhores do mundo para a prática do golfe”, afirma.

Entenda o jogo

Objetivo: Colocar a bola no buraco com o menor número possível de tacadas.

Campo: Os campos de golfe são formados por vários “tees” (pontos de saída da bola) e “greens” (buracos). Cada tee fica a uma distância diferente de seu respectivo green. Essa distância varia entre 150 metros e 600 metros. Conforme a distância, determina-se o “par”: número ideal de tacadas necessárias para levar a bola do tee ao green.

Estratégia: O golfe pode ser jogado individualmente (o objetivo é superar os próprios pontos) ou em grupos de duas a quatro pessoas. Cada jogador tem de passar por todos os tees do campo (no Bauru Golf Club são 18 tees), marcando quantas tacadas foram necessárias em cada um para acertar o green. Para isso, o jogador conta com 14 tacos de diferentes formatos. Cada taco pode arremessar a bola a determinada altura e distância.

Graduação: Uma das peculiaridades do golfe é o “handicap”, uma pontuação que é atribuída por órgão competente (Federação Paulista de Golfe, por exemplo) para cada jogador, levando em consideração seu nível de aprendizado. O handicap varia entre zero (profissionais) e 40 (iniciantes) e representa um número de tacadas extras a que cada um tem direito. Essa pontuação nivela os jogadores, permitindo que profissionais e amadores disputem uma mesma partida em condição de igualdade. O handicap é revisto mensalmente.

Pontuação: Cada jogador marca o número de tacadas efetuadas em todas as etapas da partida e desconta desse total seu handicap. Ganha o jogo quem fizer menos pontos no resultado final.

Fonte: Bauru Golf Club