09 de julho de 2026
Geral

'Cenário de guerra' toma população de surpresa

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

O som das sirenes intermitentes das viaturas policias somado ao ruído do helicóptero da Polícia Militar já indicava a gravidade do incêndio que destruiu o depósito do Supermercado Confiança Max. A impressão pôde ser confirmada por quem percorreu parte das 18 quadras interditadas e observou o trânsito de viaturas que chegavam no local com água.

“Parecia cenário de guerra”, admite o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito. Exclamações do mesmo tipo eram facilmente proclamadas por populares, que se aglomeravam nas imediações para acompanhar o trabalho de combate ao fogo. “Na hora fiquei desesperada. Ligamos para os bombeiros. A gente não pensa que um negócio desse possa acontecer tão perto. Ele (Jad Zogheib) não merece isso”, diz a proprietária de uma banca de jornal situada próxima ao depósito.

Quase ao final do incêndio, ela ainda permanecia com expressão de espanto, mas já reabria a banca, que funcionava sem energia elétrica. Equipes da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL) cortaram a força por razão de segurança.

“Não parecia tão sério. Pediram para que saíssemos do mercado por razões de manutenção. Todo mundo estava calmo, ninguém se apavorou. Os funcionários nos ajudavam e mostravam a saída”, explica a dona de casa Marcília Fernandes Botega. No momento do comunicado, ela estava passando as compras pelo caixa. “Uma parte passou, outra não. Deixei tudo lá. Faço compras aqui toda terça e quarta e vou continuar”, diz.

Também manterá o mesmo hábito uma outra consumidora que preferiu não se identificar. Ela teve de sair pela porta principal do supermercado com frutas que não haviam nem sido pesadas. “Não houve pânico”, reitera Pedro Freitas, proprietário de uma lavanderia localizada no subsolo do supermercado. Ele não nega preocupação com eventual prejuízo, decorrente do fechamento temporário do mercado.

Somente a partir de uma avaliação que será realizada hoje o proprietário do Supermercado Confiança Max, Jad Zogheib, terá idéia de quando o estabelecimento será reaberto. A proposta é retomá-lo o mais breve possível. Até que o objetivo seja alcançado, os consumidores terão de se dirigir às lojas situadas na Vila Falcão e Núcleo Habitacional Mary Dota. É para lá que parte dos funcionários será remanejada.

Outra parte prestará serviços no próprio prédio atingido pelo fogo. A informação foi aprovada pelos funcionários, que entre conversas paralelas, demonstravam preocupação com eventuais demissões. No final da tarde de ontem, de mãos dadas, eles cercaram o prédio em deferência ao local de trabalho.

Do teórico ao prático

A voz firme e tranqüila que comunicou consumidores e funcionários sobre a necessidade de deixarem o prédio do Supermercado Confiança Max é da telefonista Gabriela Perisin Fernandes. Há oito meses, ela passou por um treinamento de brigada de incêndio, quando acreditava jamais precisar recorrer às instruções ministradas.

“Fiquei preocupada porque tinha gente que não queria sair do prédio. Insisti várias vezes. Os funcionários do depósito me avisaram para eu ligar para o bombeiros”, conta.